O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), lançou oficialmente sua candidatura à Presidência da República em 16 de agosto, com o objetivo de conquistar uma vaga no Palácio do Planalto nas eleições de 2022. Para compor sua chapa, escolheu como vice o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O primeiro turno do pleito, marcado para o dia 4 de outubro, é o momento decisivo para a definição do futuro do candidato na disputa presidencial.
Desde o início da campanha, Caiado adotou uma estratégia de se apresentar como uma alternativa de direita à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Seu discurso focava em temas considerados prioritários pelo eleitorado de direita, como segurança pública, saúde, educação e tecnologia, buscando consolidar uma imagem de gestor eficiente e de postura firme nesses assuntos. O ex-governador de Goiás, que saiu de uma administração com alta aprovação no estado, enfrentou dificuldades para ampliar sua presença no cenário nacional, o que refletiu na sua performance nas pesquisas eleitorais.
Um dos fatores que contribuíram para as dificuldades de Caiado foi a perda de apoio de setores tradicionais do agronegócio, segmento ao qual tem fortes ligações pessoais e profissionais desde o início de sua carreira. O setor preferiu apoiar Flávio Bolsonaro, o que gerou um afastamento que impactou sua campanha, especialmente na região Centro-Oeste, uma das principais bases de apoio do ex-governador.
Logo após o lançamento oficial da candidatura, a equipe de comunicação de Caiado passou por uma mudança significativa. Apenas um dia após o início da campanha, o marqueteiro Paulo Vasconcelos deixou a equipe, sendo substituído pelo publicitário Marcos Carvalho, responsável até então pela estratégia digital do candidato. A troca visava fortalecer a unidade na comunicação e reforçar o posicionamento de Caiado como uma alternativa de direita, diferenciando-se de seus principais adversários na corrida presidencial.
Na televisão e no rádio, a campanha de Caiado contou com pouco mais de dois minutos de propaganda eleitoral, nos quais foram destacados os resultados de sua gestão em Goiás, com a tentativa de convencer o eleitor de que o modelo aplicado no estado poderia ser expandido para o governo federal. Além disso, o discurso buscou diferenciá-lo de Lula e Flávio Bolsonaro, sobretudo na questão da segurança pública, um dos principais temas de sua plataforma.
Durante o período de campanha, Caiado participou de debates e sabatinas, incluindo o primeiro debate presidencial realizado pela Band em 23 de agosto, no qual aproveitou a ausência de Lula e Flávio para criticar os dois principais concorrentes. No mês de setembro, também participou de eventos promovidos por entidades, ampliando sua exposição na mídia.
Apesar de suas aparições públicas e do esforço de reforçar sua imagem, Caiado permaneceu distante dos primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o levantamento do Datafolha divulgado em 24 de setembro, ele tinha apenas 4% das intenções de voto, enquanto Lula liderava com 38% e Flávio Bolsonaro tinha 33%. Essa tendência se manteve na reta final da campanha, conforme a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 28 de setembro, na qual Caiado atingiu 5%, empatado com Augusto Cury, enquanto Lula tinha 42% e Flávio, 37%. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores e apresentava uma margem de erro de dois pontos percentuais.
Com a proximidade do primeiro turno, a campanha de Caiado concentrou esforços na região de Goiás, reforçando a narrativa de que o eleitor deveria optar por uma alternativa aos dois principais grupos que lideravam a disputa. Apesar de buscar ampliar sua presença no debate nacional, o ex-governador não conseguiu alcançar uma colocação de destaque nas pesquisas, permanecendo distante dos adversários que lideram a corrida presidencial.








