Um estudo internacional, publicado na revista Nature Geoscience em 30 de setembro, indica que a diminuição das emissões de gases de efeito estufa tem potencial para reduzir a perda de gelo na Antártida ao longo deste século, contribuindo para conter a elevação do nível do mar. A pesquisa revela que há pelo menos 89% de chance de que cenários com menores emissões resultem em uma desaceleração na perda de gelo até 2100, em comparação com cenários de emissões elevadas. Os cientistas ressaltam que as decisões tomadas atualmente influenciam diretamente o comportamento do gelo antártico nas próximas décadas, reforçando a importância de políticas globais de mitigação do aquecimento global.
A Antártida abriga a maior reserva de água doce congelada do planeta, e seu derretimento contribui significativamente para o aumento do nível dos oceanos. Quando o gelo se desloca para o oceano, ele eleva o volume de água e, consequentemente, o nível do mar. O estudo demonstra que o aquecimento global agrava esse processo ao enfraquecer as plataformas de gelo, que funcionam como barreiras naturais de contenção. Com o aumento da temperatura oceânica, essas estruturas tendem a afinarem ou se fragmentarem, permitindo que as geleiras avancem mais rapidamente em direção ao mar.
Esse movimento de avanço das geleiras pode ser intensificado por fatores combinados, como o derretimento por baixo das plataformas de gelo e a forma como o gelo desliza sobre o solo. Mesmo em cenários de redução de emissões, os pesquisadores indicam que a perda de gelo na Antártida permanece altamente provável, com uma estimativa de pelo menos 92% de chance de uma redução no volume total até o final do século. Para avaliar situações mais críticas, a equipe analisou combinações de condições que poderiam levar a perdas mais severas de gelo, incluindo cenários de emissões muito altas, nos quais a contribuição da Antártida para a elevação do nível do mar poderia alcançar aproximadamente 25 centímetros até 2100.
É importante destacar que esses números consideram apenas o gelo do continente antártico, excluindo o derretimento da Groenlândia, das geleiras de montanha e a expansão térmica dos oceanos causada pelo aquecimento global. Os pesquisadores ressaltam que a resposta da Antártida ao aquecimento ocorre ao longo de décadas, o que significa que os efeitos das emissões atuais continuarão influenciando o sistema de gelo por um período prolongado.
Para realizar as projeções, a equipe utilizou técnicas de aprendizado de máquina para analisar simulações existentes sobre o comportamento das camadas de gelo. Essa abordagem permitiu testar rapidamente diferentes cenários de fatores que afetam a perda de gelo, algo que demandaria alto custo computacional com métodos tradicionais. Os resultados foram validados com dados de satélites coletados entre 2002 e 2021, o que ajudou a ajustar as estimativas e aumentar a precisão das previsões.
Apesar dos avanços, ainda há incertezas relacionadas a processos como o derretimento das plataformas de gelo pelo oceano, além das interações entre gelo, atmosfera e água. Os autores do estudo destacam que aprimorar as medições desses fenômenos é fundamental para que cidades costeiras possam planejar estratégias de adaptação e obras de proteção contra a elevação do nível do mar, que tende a se intensificar nas próximas décadas.









