Pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) desenvolveram uma inovação que pode transformar o tratamento de ferimentos complexos e potencialmente prevenir amputações. Trata-se de uma espuma injetável de silicone que, ao ser aplicada na lesão, se expande e molda-se ao formato da cavidade, preenchendo áreas de difícil acesso por curativos convencionais. A tecnologia, atualmente em fase de protótipo, está sendo aprimorada pela startup AleSac, que recebeu financiamento para avançar em sua evolução.
A proposta da nova solução surge da necessidade de superar limitações dos produtos tradicionais utilizados no tratamento de feridas profundas. Comumente, os curativos planos não se adaptam às irregularidades e cavidades presentes em ferimentos severos, dificultando a cicatrização e aumentando o risco de complicações. A espuma, por sua vez, é projetada para expandir-se após a injeção, preenchendo completamente o espaço da lesão e criando um ambiente mais favorável à recuperação.
De acordo com a professora Anne Ladegaard Skov, cofundadora da AleSac e pesquisadora da DTU, a ideia nasceu ao identificar um obstáculo frequente no tratamento de feridas profundas. Ela explica que a tecnologia foi criada para se adaptar à geometria da ferida, oferecendo uma alternativa mais eficaz ao uso de produtos planos. Além de seu formato moldável, o material possui capacidade de absorver o exsudato — líquido produzido durante o processo inflamatório — que, se acumulado, pode agravar a deterioração do ferimento e facilitar a proliferação de bactérias.
Outro aspecto relevante da inovação é sua ação antibacteriana. Testes laboratoriais indicaram que a espuma possui atividade contra bactérias multirresistentes em menos de 120 minutos, além de inibir o crescimento de biofilmes, estruturas que dificultam o combate às infecções. Essa combinação de propriedades torna o material especialmente promissor para o tratamento de traumas severos, incluindo ferimentos decorrentes de explosões ou outros acidentes complexos, onde a intervenção rápida é crucial para preservar tecidos e evitar amputações.
A tecnologia também apresenta potencial para uso em regiões de crise ou em locais onde o acesso imediato a atendimento hospitalar especializado é limitado. Nesses contextos, controlar a infecção e manter o ferimento em condições adequadas podem ser determinantes para o sucesso do tratamento até que seja possível uma intervenção mais avançada.
No momento, a espuma ainda está em fase de desenvolvimento de protótipo e não é disponibilizada para uso clínico. No entanto, a startup AleSac foi selecionada para participar do programa norte-americano de aceleração de tecnologias médicas BioLab CATALYST, o que representa um avanço importante na sua trajetória. Segundo Anne Ladegaard Skov, essa participação facilitará o acesso à expertise regulatória e a uma rede internacional de investidores, essenciais para a futura obtenção de aprovação junto à Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos.
O próximo passo para a tecnologia envolve a realização de estudos adicionais para comprovar sua segurança e eficácia, bem como o cumprimento dos requisitos regulatórios. Caso esses critérios sejam atendidos, a espuma injetável poderá representar uma alternativa inovadora para o tratamento inicial de ferimentos graves, especialmente naqueles em que os métodos tradicionais encontram dificuldades para acompanhar a complexidade da lesão.








