O mercado financeiro brasileiro experimentou uma forte valorização do real nesta segunda-feira, 5 de outubro, impulsionada pelos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, que indicaram uma vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa movimentação resultou na maior queda diária do dólar frente ao real desde junho de 2018, refletindo uma mudança de percepção dos investidores em relação ao cenário político e às expectativas econômicas no país.
O dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,0022, uma baixa de 4,12%, marcando o menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2023, quando a moeda atingiu R$ 5,0004. Este movimento representa uma redução expressiva na cotação, que não ocorria em um único dia há mais de oito anos, desde 8 de junho de 2018, quando a moeda norte-americana cedeu 5,59% em uma sessão. No acumulado do ano, o dólar apresenta uma queda de 8,87%, sinalizando uma tendência de fortalecimento do real frente à moeda estrangeira.
A reação positiva do mercado também se refletiu na Bolsa de Valores brasileira, cujo índice de referência, o Ibovespa, atingiu novos recordes históricos nesta segunda-feira. O índice subiu 7,7%, fechando a 206.911,89 pontos, após atingir uma mínima de 192.137,63 pontos e uma máxima de 209.605,70 pontos, o maior nível intradiário já registrado pela bolsa. Essa alta foi atribuída à euforia dos investidores, que interpretaram o resultado do primeiro turno como um sinal de possível estabilidade política e de avanços em relação às expectativas de ajuste fiscal por parte do governo.
A vantagem de Flávio Bolsonaro na votação de domingo foi de 2 pontos percentuais em relação a Lula: 47,03% contra 45,16%. Apesar de ambos os candidatos não terem atingido o limite de 50% dos votos, a percepção do mercado é de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é pouco provável, o que reforça a confiança na continuidade de um cenário mais favorável para o real e para os ativos brasileiros.
A forte queda do dólar também foi acompanhada por uma redução significativa nas taxas dos DIs de longo prazo, que recuaram mais de 135 pontos-base. Além disso, o Ibovespa disparou mais de 7%, indicando otimismo dos investidores em relação às perspectivas econômicas do país. A cotação mínima intradiária do dólar nesta segunda-feira foi de R$ 4,9534, uma queda de 5,06%, a menor desde maio, quando a moeda não oscilava abaixo de R$ 5.
No cenário externo, a sessão foi marcada pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela valorização do dólar frente a divisas fortes como o euro e a libra esterlina. Às 17h25, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, registrava alta de 0,24%, atingindo 102,140 pontos.
Ainda na manhã de segunda-feira, o Banco Central do Brasil realizou a venda de 50.000 contratos de swap cambial, com vencimento previsto para 3 de novembro, numa operação de rolagem que, até o momento, não teve impacto direto na cotação do dólar. Especialistas do mercado avaliam que, com a provável confirmação de Flávio Bolsonaro na presidência, as perspectivas de ajuste fiscal e estabilidade econômica tendem a reforçar a tendência de baixa do dólar frente ao real, podendo o câmbio atingir valores próximos a R$ 4,90 ou R$ 4,80 nas próximas semanas.
Em suma, o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil provocou uma das maiores quedas diárias do dólar em anos, refletindo a confiança dos investidores na continuidade de um cenário político que, segundo análises, deve favorecer a estabilidade econômica e o ajuste fiscal, elementos considerados essenciais para o fortalecimento do real frente às moedas internacionais.









