Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm intensificado esforços para convencer a governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), a declarar apoio ao petista na disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). Nos últimos dias, pelo menos três representantes de Lula buscaram contato com a mandatária estadual, incluindo o ex-ministro e senador eleito Rui Costa (PT-BA), a senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE) e o senador reeleito Humberto Costa (PT-PE).
Segundo informações obtidas pela coluna, esses contatos ocorreram em um momento de aproximação política, com o objetivo de consolidar o apoio de Raquel Lyra ao candidato do PT no segundo turno. Humberto Costa, por exemplo, admitiu ter telefonado para a governadora para parabenizá-la pela reeleição, ocorrida no primeiro turno, com 53,27% dos votos válidos, o que equivale a 2.805.438 votos. Apesar do gesto de congratulação, Humberto afirmou que uma eventual conversa sobre o apoio a Lula só acontecerá se for solicitada pela campanha presidencial do petista.
Raquel Lyra, que venceu a disputa estadual no dia 2 de outubro, apoiada pelo seu partido e aliados, recebeu o apoio do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que obteve 44,82% dos votos (2.359.633 votos). Apesar do esforço dos petistas, a governadora sinalizou, na segunda-feira seguinte à eleição, que pretende manter a postura de neutralidade adotada durante o primeiro turno. Ela declarou ter “gratidão” a Lula e aos ministros pela parceria com Pernambuco, mas não sinalizou um apoio explícito ao candidato petista neste momento.
No entanto, aliados de Marília Arraes avaliam que há espaço para convencer Raquel Lyra a mudar de posição. Um dos argumentos utilizados é que uma vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial poderia prejudicar as relações de Pernambuco com o governo federal nos próximos anos. Além disso, a relação administrativa construída entre Raquel e Lula desde 2023, marcada por parcerias e investimentos federais, reforça a possibilidade de uma aproximação futura. Entre as ações conjuntas, destacam-se projetos do Novo PAC e investimentos no porto de Suape, além de agradecimentos públicos de Raquel ao presidente pela retomada de obras e recursos destinados ao estado.
A relação entre Lula e Raquel foi colocada à prova durante a campanha eleitoral estadual. A governadora chegou a sinalizar que apoiaria Lula na disputa presidencial, desde que o petista mantivesse neutralidade na eleição estadual. Contudo, na reta final do primeiro turno, Lula decidiu apoiar João Campos, o então prefeito do Recife, que também era apoiado por sua coligação, o que gerou tensões com Raquel. Essa movimentação, vista por aliados do presidente como uma tentativa de fortalecer a candidatura de Campos, acabou por complicar o relacionamento com a governadora, que preferiu manter sua neutralidade na eleição estadual.
Com a vitória de Raquel Lyra no primeiro turno, os esforços do núcleo político de Lula agora concentram-se em reconstruir pontes e tentar levá-la a apoiar Lula no segundo turno. A estratégia envolve reforçar os laços de cooperação e destacar os benefícios de uma aliança, especialmente considerando o impacto que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter na relação do estado com o governo federal. Assim, os aliados do presidente continuam a trabalhar para ampliar a influência de Lula na política pernambucana, buscando consolidar o apoio de Raquel Lyra na fase decisiva do pleito presidencial.









