Uma planilha anônima e colaborativa, que circula amplamente nas redes sociais, tem chamado atenção ao listar supostos posicionamentos eleitorais de diversos famosos no contexto do segundo turno das eleições presidenciais de 2022 no Brasil. Este documento, que reúne mais de mil registros, aponta quem, entre celebridades de diferentes áreas, apoiaria o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL). A divulgação da lista ocorreu em meio à disputa pelo Palácio do Planalto, e ela se tornou um tema de discussão tanto na mídia quanto entre internautas, ao expor uma espécie de “mapa” de preferências do universo artístico, esportivo e influenciadores digitais.
A lista, cujo conteúdo é alimentado de forma colaborativa e anônima, inclui nomes de artistas, jogadores de futebol, ex-BBBs, influenciadores digitais e outros personagens públicos. Entre os nomes associados a Lula estão artistas como Pabllo Vittar, Luísa Sonza, Juliette, Jão, Matuê, Xamã e Manu Gavassi. Por outro lado, figuras como Jojo Todynho, Ana Castela, Gusttavo Lima e Neymar Jr. aparecem relacionados a Flávio Bolsonaro. A relação funciona como um verdadeiro “quem é quem” do universo das celebridades, com diferentes gerações e estilos sendo associados a um dos dois candidatos na disputa presidencial.
Além dos registros presentes na planilha, análises realizadas durante o período eleitoral indicam que nomes de peso do cenário cultural brasileiro também participaram de manifestações públicas ou mobilizações favoráveis a Lula, como Ivete Sangalo, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque e Xamã. Do lado de Bolsonaro, figuras como Amado Batista declararam apoio explícito ao candidato, enquanto artistas como Leonardo e Zezé Di Camargo participaram de eventos ou manifestações interpretadas como sinais de apoio ao campo bolsonarista. Neymar Jr. e Ana Castela também tiveram episódios de aproximação com o deputado ou seus aliados, embora esses episódios não tenham sido necessariamente acompanhados de declarações formais de voto.
No entanto, especialistas e observadores alertam para o caráter não definitivo da lista. Como o preenchimento da planilha é colaborativo e anônimo, ela inclui registros baseados em diferentes tipos de evidências, como reportagens, vídeos, publicações em redes sociais, stories, curtidas e perfis seguidos. Assim, a associação de uma celebridade a Lula ou a Flávio Bolsonaro não constitui, por si só, uma confirmação de voto ou apoio explícito. Apoio público, aproximação política e intenção de voto são conceitos distintos, e a lista não deve ser interpretada como uma urna de votação ou uma manifestação oficial de preferência.
Com o segundo turno confirmado e Lula e Flávio Bolsonaro na disputa, o tema permanece em evidência. A própria planilha mantém uma seção de “lista de espera” para influenciadores que ainda não se manifestaram oficialmente, classificados como “Ainda estamos esperando”. Assim, a eleição se transformou em uma espécie de “paredão” dos famosos, onde quem se manifesta vira alvo de atenção, quem permanece em silêncio é cobrado, e quem dá sinais de apoio acaba sendo destaque na discussão pública. Nesse cenário, a mistura entre política e celebridades evidencia a polarização social e o impacto que a opinião de figuras públicas pode ter na percepção do eleitorado, além de refletir a forte presença de celebridades na arena política brasileira.








