Um canal de comunicação criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), com o objetivo de mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alcançou nesta quarta-feira (7) a marca de aproximadamente 2 milhões de seguidores no WhatsApp. A iniciativa, que foi lançada antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, ganhou maior destaque após a derrota de Lula na votação realizada no último domingo, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% das intenções de voto, contra 45,16% do candidato petista.
Segundo informações compartilhadas por Janones em áudios enviados ao próprio canal, o propósito da plataforma é organizar ações nas redes sociais e impulsionar a campanha de Lula no ambiente digital. Ainda de acordo com o deputado, as ações planejadas começarão a ser implementadas apenas na próxima semana, pois o momento presente será dedicado à mobilização de seguidores e ao fortalecimento do grupo. Em uma das mensagens, Janones afirmou que a mobilização é uma tarefa complexa e repetitiva, destacando que envia o mesmo áudio diversas vezes e solicita ações similares continuamente. Ele também comentou que decidiu reservar a primeira semana para esse esforço de engajamento, esperando avaliar a estratégia na segunda-feira seguinte.
A criação do canal, que reúne uma grande quantidade de apoiadores, levantou preocupações entre setores da base bolsonarista. Um dos principais críticos foi o deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo), que é o mais votado da história do Paraná. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Chiquini afirmou que Lula estaria por trás de uma “organização criminosa de produção de mentiras contra Flávio Bolsonaro”. Segundo ele, o grupo criado por Janones, com cerca de 2 milhões de participantes no WhatsApp, estaria sendo usado para disseminar informações falsas e promover uma campanha de perseguição ao senador.
Chiquini também declarou que pretende denunciar Janones ao Ministério Público por supostos crimes eleitorais. Ele acusou o deputado de ter criado o grupo com o objetivo de promover uma narrativa favorável a Lula, pedindo que os seguidores compartilhassem conteúdos considerados falsos. Para o parlamentar, essa prática configura crime eleitoral, e ele afirmou que tomará as providências cabíveis contra Janones por essa suposta irregularidade.
A controvérsia envolvendo o canal de Janones evidencia o ambiente polarizado que tem marcado o cenário político brasileiro nos últimos anos, especialmente no período eleitoral. Enquanto apoiadores do ex-presidente Lula veem a iniciativa como uma estratégia legítima de mobilização digital, opositores a acusam de usar recursos e estratégias que, segundo eles, podem configurar violações às normas eleitorais. O episódio reforça a polarização e o debate sobre o uso de redes sociais e grupos de WhatsApp na disputa política do país.









