Aos 87 anos, Maricarmen Abascal, cuja expulsão de seu apartamento em Madri desencadeou uma significativa mobilização social na Espanha, faleceu nesta quarta-feira (7), conforme informações do Sindicato de Inquilinas. Sua morte marca o encerramento de um episódio que se transformou em símbolo da luta por direitos habitacionais no país.
Maricarmen Abascal foi removida de sua residência após um despejo ocorrido em 23 de setembro, quando a proprietária do imóvel, uma empresa, tentou aumentar drasticamente o valor do aluguel, o que levou à sua expulsão. Morando no mesmo apartamento há sete décadas, a idosa tornou-se um rosto emblemático na resistência contra os aumentos abusivos e a crise habitacional que atinge várias regiões da Espanha. Sua retirada do imóvel, realizada sob forte comoção, foi registrada por manifestantes que a apoiavam, e a imagem de sua transferência em uma maca, enquanto os presentes protestavam, rapidamente ganhou repercussão nacional.
O Sindicato de Inquilinas destacou em comunicado que a morte de Maricarmen representa um momento de reflexão sobre o impacto social de sua luta. Segundo o sindicato, ela se tornou um exemplo de resistência e coragem, e suas ações contribuíram para uma mudança no debate público acerca do direito à moradia. O sindicato também afirmou que o episódio marcou um ponto de inflexão na história recente do país, evidenciando a urgência de medidas efetivas para combater a crise habitacional.
Após o despejo, a mobilização popular não se restringiu ao episódio individual. Uma manifestação massiva em Madri, ocorrida poucos dias depois, terminou na instalação de um acampamento na emblemática praça da Puerta del Sol, centro político e turístico da capital espanhola. Essas manifestações evidenciaram o descontentamento social com as políticas de habitação e o aumento dos custos de moradia, que afetam especialmente as camadas mais vulneráveis.
Em resposta às manifestações e ao clamor popular, o governo espanhol anunciou a elaboração de dois decretos com medidas voltadas a mitigar a crise habitacional. Contudo, esses textos foram rejeitados na última sexta-feira (2) pelo Congresso dos Deputados, uma derrota que representou um revés significativo para a administração do presidente Pedro Sánchez. A rejeição dessas propostas acentuou as dificuldades do governo em implementar políticas eficazes para garantir o direito à moradia digna.
Na terça-feira (6), o líder socialista anunciou a convocação de eleições gerais antecipadas, marcadas para 29 de novembro, em meio ao contexto de crise política e social agravada pelo impasse nas medidas de habitação. A morte de Maricarmen Abascal, portanto, não apenas evidencia a luta de uma idosa contra a especulação imobiliária, mas também simboliza o esforço de uma sociedade que busca mudanças estruturais para assegurar o direito fundamental à moradia.









