Duas semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotam abordagens distintas para mobilizar o eleitorado por meio das redes sociais. Enquanto Flávio Bolsonaro intensificou sua presença digital ao reunir, nesta quarta-feira (7), em Brasília, parlamentares, governadores e lideranças partidárias, Lula começou a explorar o formato de vídeos em selfie, uma estratégia que anteriormente rejeitava, e reconheceu suas dificuldades em se adaptar ao ambiente digital.
No encontro realizado na capital federal, a equipe de Flávio apresentou uma estrutura de comunicação baseada em uma base de aproximadamente 1,7 milhão de contatos, que receberam autorização para receber conteúdos via WhatsApp. Essa iniciativa visa transformar deputados, senadores, governadores e militantes em multiplicadores de mensagens, ampliando o alcance da campanha nas plataformas digitais. O coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), orientou os parlamentares a replicarem essa estrutura em seus estados e a envolverem integrantes de partidos aliados que passaram a apoiar Flávio no segundo turno.
Além disso, os parlamentares receberam acesso à ferramenta denominada “TV Celular”, que fornece vídeos e conteúdos específicos para distribuição nas redes sociais. O marqueteiro Duda Lima destacou a importância de concentrar a comunicação em temas considerados prioritários para a campanha, como segurança pública, preços dos alimentos, endividamento e propostas de governo. Uma orientação específica foi que os parlamentares observem preços em supermercados e dialoguem com consumidores, reforçando a narrativa de que esses temas representam a continuidade do esforço de campanha. Duda Lima também reforçou a estratégia de apresentar uma narrativa de que o resultado do primeiro turno indicaria o “fim da era Lula”, buscando consolidar esse discurso na fase final do pleito.
Por outro lado, Lula, que completou 80 anos, admitiu dificuldades em se adaptar ao formato digital. Nessa quarta-feira, pela primeira vez, publicou vídeos feitos por ele mesmo em formato de selfie, convocando apoiadores a irem às ruas e comentando a derrota na escala de 6×1. Em encontros com parlamentares e integrantes do PT em Brasília, o presidente revelou que costuma resistir às cobranças da equipe para produzir esse tipo de conteúdo, alegando que sua geração não está habituada a esse formato. Lula afirmou que prefere falar apenas o que considera essencial, mas reconheceu a insistência de seus assessores e decidiu experimentar as selfies, embora continue preferindo não utilizá-las com frequência.
Lula também cobrou uma reação mais ágil de seus aliados diante de notícias falsas ou negativas, enfatizando a necessidade de combater a desinformação de forma rápida e efetiva. Em entrevista transmitida pelo canal do PT, o presidente fez uma avaliação crítica de sua campanha, afirmando que ela foi “aquém da minha possibilidade” e que poderia ter sido mais organizada. Ele mencionou que orientou o coordenador da campanha, Edinho Silva, a buscar melhorias para o segundo turno, incluindo maior aproximação com parlamentares mais jovens e com maior familiaridade com as plataformas digitais.
Enquanto Flávio Bolsonaro aposta na ampliação de uma estrutura digital consolidada, Lula reconhece suas limitações no ambiente virtual e busca estratégias para aumentar sua presença e impacto nas redes, numa fase decisiva do pleito eleitoral.







