Na noite desta quarta-feira (7), um incêndio de grandes proporções atingiu um prédio localizado na Cidade Universitária do Recife, no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), causando uma perda avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões e destruindo cerca de duas décadas de trabalhos científicos. O incidente não resultou em feridos, mas provocou danos severos às instalações e ao acervo de pesquisas acumuladas ao longo de aproximadamente 20 anos.
O edifício afetado era o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), que abrigava laboratórios dedicados às áreas de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. Segundo informações da universidade, o local armazenava produtos e materiais que contribuíram para a rápida propagação das chamas, agravando a destruição. O Corpo de Bombeiros foi acionado imediatamente e enviou cinco viaturas ao local para combater o incêndio, que foi controlado por volta das 5h desta quinta-feira (8). De acordo com o major Melquezedek Calado, representante da corporação, o fogo tomou conta de todo o pavimento superior do prédio e de uma sala no pavimento inferior, sendo que alguns laboratórios no andar inferior foram preservados ao serem isolados do fogo.
Ainda conforme o major Calado, o incêndio permaneceu restrito ao prédio atingido, sem afetar imóveis vizinhos. Os trabalhos de rescaldo e rescaldo duraram várias horas, com a equipe de bombeiros conseguindo conter as chamas e evitar que o fogo se espalhasse para áreas adjacentes. A avaliação inicial indica que praticamente todos os equipamentos localizados no primeiro andar foram destruídos, incluindo instrumentos essenciais para diversas linhas de pesquisa científica.
A reitoria da UFPE destacou que a perda é considerada irreparável, uma vez que as amostras e materiais acumulados ao longo de duas décadas de estudos foram totalmente destruídos. Entre os itens perdidos estão amostras utilizadas por pesquisadores de mestrado, doutorado, estudantes de iniciação científica e professores, que representam uma parte significativa do esforço científico realizado na instituição. O reitor Alfredo Gomes afirmou que a universidade já iniciou contatos com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para buscar alternativas que minimizem os impactos do incêndio e possibilitem a continuidade das pesquisas afetadas.
A causa do incêndio ainda não foi identificada oficialmente. A UFPE acionou a Polícia Federal, que enviou uma equipe de peritos ao local para realizar exames e apurar as circunstâncias do incidente. A Polícia Federal também informou que um inquérito policial será instaurado para investigar as possíveis causas do fogo, buscando esclarecer se houve negligência ou algum fator externo que tenha contribuído para o ocorrido.
Este episódio ocorre após outros dois incêndios registrados na mesma universidade em um intervalo de uma semana, o que tem levantado preocupações sobre a segurança nas instalações da instituição. Em nota oficial, a UFPE lamentou profundamente o ocorrido, especialmente pelos impactos sobre as pesquisas científicas que estavam em andamento no prédio destruído, e manifestou solidariedade aos pesquisadores, professores e estudantes afetados. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, também se pronunciou, afirmando que o Ministério acompanha as investigações e está à disposição da universidade para oferecer apoio necessário diante da situação.









