Em entrevista concedida à Record News, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que uma possível alteração nas regras eleitorais, que estabeleça um mandato de cinco anos e elimine a possibilidade de reeleição, não se aplicaria ao eventual governo de Flávio Bolsonaro. Segundo Valdemar, essa mudança seria válida apenas para os futuros candidatos, descartando a aplicação imediata ao atual cenário político. “Não acredito nisso. Seria para os próximos candidatos”, afirmou.
Durante a entrevista, Valdemar também abordou a posição do PL em relação à elaboração de uma nova Constituição. Ele esclareceu que o partido não defende uma revisão total do texto constitucional, mas considera necessárias mudanças pontuais em áreas específicas, especialmente na legislação tributária e jurídica. “Não estamos falando de uma nova Constituição. Estamos falando de mudanças na Constituição na área tributária. Muitas áreas têm que ser revistas. Na área jurídica, então, isso vai ter que ser discutido pelos novos senadores e deputados”, explicou.
Na avaliação do desempenho eleitoral do partido no primeiro turno e na formação de alianças para a fase final das eleições, Valdemar demonstrou confiança na vitória do PL, mas reforçou a importância de manter o esforço até o último momento. Ele rejeitou qualquer postura de acomodação diante do cenário favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro, ressaltando que a campanha deve continuar forte até o fim. “Nós temos tudo para ganhar a eleição. A eleição, na minha opinião, está definida. Com a vinda desses partidos, vai ser o arremate final. Só que nós não podemos parar de trabalhar um segundo, trabalhar até o fim”, afirmou.
O presidente do PL também manifestou preocupação com uma possível postura de confiança excessiva, alertando para a necessidade de continuidade na campanha. “Não podemos ceder um milímetro. Temos que continuar trabalhando até o fim. O que tem animado a gente são os partidos aderindo à campanha do Flávio. Tem animado muito o nosso pessoal. Estamos caminhando para a vitória, não tenho dúvidas disso”, declarou.
Valdemar destacou ainda o desempenho de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais e Goiás, além dos apoios de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Cleitinho Azevedo, que devem contribuir para ampliar a votação do candidato. Quanto à composição do Congresso, o dirigente afirmou que a bancada do PL deve alcançar aproximadamente 30 senadores, considerando também os suplentes. Quanto à disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, Valdemar foi direto ao afirmar que o partido tem o direito de pleitear esses cargos, uma vez que detém a maioria. Para o Senado, ele indicou Rogério Marinho como nome do partido, enquanto para a Câmara ainda não há definição.
O crescimento do PL, segundo Valdemar, é atribuído ao desempenho de Flávio Bolsonaro e à influência do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Atribuo ao desempenho do Flávio Bolsonaro, que tem sido muito bom. Ele está muito bem situado, está esclarecendo bem todo o trabalho dele. E também ao Jair Bolsonaro, que é um fenômeno”, afirmou.
O presidente do PL também destacou a eleição de jovens nomes da direita, como Nikolas Ferreira e Pavanato, afirmando que o partido conseguiu convencê-los a ingressar na legenda. Sobre Nikolas, Valdemar ressaltou que a votação superou as expectativas do partido, que previa cerca de 2 milhões de votos, mas que o parlamentar atingiu aproximadamente 3 milhões, o que, na avaliação dele, demonstra o potencial do jovem político.
No que diz respeito à eleição de Douglas Ruas no Rio de Janeiro, Valdemar afirmou que o estado necessita de uma recuperação e expressou confiança na autonomia do novo deputado do PL para governar. “O Rio de Janeiro precisa de uma recuperação forte, não teve sorte nas últimas administrações e nem na nossa. Nós esperamos que o Douglas, temos certeza que vai ter autonomia e vai fazer um excelente governo. Não tenho dúvida disso. Gente do batente, trabalho, da luta”, declarou.
Para o futuro, Valdemar colocou a economia como prioridade máxima de um eventual governo do PL, seguida de medidas na área de segurança pública, incluindo a discussão sobre a maioridade penal e o sistema prisional. Segundo ele, Flávio Bolsonaro deverá tratar esses temas como prioridades, com a intenção de reduzir a criminalidade e melhorar a infraestrutura carcerária do país. “Depois, acabar com a maioridade penal, presídios. Flávio vai cuidar disso pra valer. Temos que tirar essa gente da rua”, afirmou.
O dirigente também defendeu a implementação de políticas de controle dos gastos públicos, redução dos juros, manutenção de programas sociais como o Bolsa Família e a criação de empregos, ressaltando que o povo brasileiro busca mudanças concretas. Quanto à possibilidade de o PL priorizar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Valdemar foi categórico ao afirmar que essa não é uma pauta do partido. “Não, do PL não. Isso é problema do Senado. Não existe esse desejo por nossa parte. O que queremos é que o Brasil vá para frente, se desenvolva e que a gente possa diminuir esse batalhão de pobres que existe no Brasil e que vive de Bolsa Família. Temos que manter o Bolsa Família, mas também criar empregos”, declarou.
Sobre o mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro, Valdemar afirmou que ainda não tinha conhecimento do caso, indicando que iria avaliar a situação posteriormente. Por fim, comentou a mudança na estratégia de campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem investido mais em redes sociais e aproximação com o eleitorado jovem. Segundo ele, essa é uma tática comum nas campanhas atuais, que buscam ampliar o alcance do candidato, e considerou o movimento como parte de uma disputa eleitoral equilibrada.









