O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, destacou nesta quinta-feira (8), durante uma coletiva de imprensa, seu compromisso de manter o superávit na economia brasileira, rebatendo críticas às propostas de corte de gastos defendidas por aliados da oposição, em especial pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula fez um balanço de sua gestão até o momento e reforçou a importância de políticas que priorizem o investimento em áreas essenciais, como educação, saúde e infraestrutura, ao mesmo tempo em que criticou medidas que, na sua avaliação, prejudicam os mais vulneráveis.
O chefe do Executivo relembrou que, ao assumir o cargo em 2023, encontrou um orçamento com déficit de 2,8%, o que, segundo ele, levou a sua administração a realizar cortes em setores considerados prioritários, como educação, saúde e infraestrutura. Lula destacou que, ao longo de seus 12 anos de mandato anterior, todos os seus governos tiveram como marca o superávit fiscal, uma estratégia que pretende continuar adotando, sem a necessidade de medidas drásticas de cortes, como a proposta de “tesouraço” defendida por Flávio Bolsonaro.
“Só tinha verba suficiente para comprar um ônibus escolar, e nós já compramos 12 mil ônibus. Apenas R$ 20 mil eram destinados para tratar problemas de calamidade. A merenda escolar ficou cinco anos sem reajuste. É fundamental que fiquemos atentos para que a população brasileira não seja enganada mais uma vez. Quando se fala de corte, é importante entender que isso significa tirar recursos do pobre, do bolso do trabalhador brasileiro”, afirmou Lula.
O presidente também criticou a pauta de contenção de gastos defendida por Flávio Bolsonaro, que tem como objetivo principal controlar a inflação por meio de redução de despesas públicas. Lula argumenta que tais propostas favorecem os mais ricos e prejudicam os trabalhadores, ao reduzir investimentos em áreas sociais essenciais para o desenvolvimento do país.
Além das questões econômicas, Lula abordou a Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas esportivas, tema de grande repercussão na política e na sociedade. O presidente defendeu a medida, afirmando que os clubes brasileiros estão equivocados ao alegar que ela “acabou com o futebol”. Ele relatou uma conversa que teve antes da coletiva com a mãe de um menino que perdeu a vida devido ao envolvimento com apostas esportivas, reforçando seu compromisso de combater a lavagem de dinheiro e a exploração financeira por meio dessas atividades.
Por fim, Lula voltou a defender a votação da PEC que propõe o fim da escala 6×1, prevista para ocorrer na próxima semana, entre os dias 14 e 15 de outubro de 2026. Ele criticou a oposição, que segundo ele, estaria planejando uma abstenção na votação, e afirmou que essa medida traria benefícios ao país. “Fiquei sabendo que meu adversário está propondo ao partido dele a abstenção, ele tem vergonha de dizer que não estará no plenário”, declarou Lula.
A postura do presidente evidencia seu posicionamento de manter uma política econômica voltada à sustentabilidade fiscal, ao mesmo tempo em que se opõe às propostas de cortes considerados prejudiciais aos setores mais vulneráveis da sociedade brasileira. A discussão sobre as medidas econômicas e fiscais deve continuar acalorada nos próximos dias, em meio ao clima eleitoral que se intensifica na corrida presidencial de 2026.









