O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou nesta semana que a execução do militar condenado pelo ataque que resultou na morte de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, em 2009, será realizada de forma pública, uma medida inédita desde a Segunda Guerra Mundial. A previsão é de que o procedimento ocorra por meio de pelotão de fuzilamento, método recomendado por Hegseth e aprovado pelo então presidente Donald Trump, e que será transmitido ao vivo para o público.
Durante entrevista concedida ao podcaster de extrema direita Jack Posobiec, a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, na quarta-feira, 7 de novembro, Hegseth afirmou que a decisão visa reforçar a compreensão da sociedade sobre as consequências de atos extremistas. Segundo ele, “vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja pública, porque elas precisam entender que existem consequências sérias para esse tipo de ato”. A declaração reforça a intenção do governo de promover uma execução que seja acessível ao público, em um momento em que o Departamento de Defesa confirmou, na quinta-feira, 8 de novembro, que a transmissão ao vivo será realizada, embora sem detalhes adicionais.
O Pentágono anunciou na segunda-feira, dia 6, que Nidal Hasan, o militar condenado pelo ataque de 2009, será executado por pelotão de fuzilamento, uma prática que não era empregada pelo Exército dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. A execução foi agendada para o dia 3 de dezembro, às 14 horas no horário do leste dos EUA (15 horas em Brasília), na própria base de Fort Hood, localizada no Texas. O procedimento foi aprovado pelo secretário interino do Exército, Adam Telle, que também confirmou a data.
Nidal Hasan foi condenado em julho de 2013 por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio, após disparar contra soldados em uma instalação médica de Fort Hood, onde militares realizavam avaliações médicas antes de serem enviados ao exterior. Durante o julgamento, Hasan afirmou que mirava soldados que seriam enviados ao Afeganistão, alegando que participavam de uma guerra ilegal. No dia do ataque, ele iniciou os disparos no centro de processamento médico, perseguindo soldados que tentavam fugir, até ser confrontado por policiais, trocando tiros com eles e sendo atingido.
A proposta de realizar a execução por pelotão de fuzilamento representa uma mudança significativa na política de pena de morte do Exército, marcando a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que esse método será utilizado. Hegseth destacou a preferência pela mentalidade de vitória adotada na época, afirmando que “quando o inimigo te ataca, você mantém sua posição”. Contudo, a realização de uma transmissão pública ao vivo pode gerar conflitos com regulamentos internos do Exército, especificamente a Regulação 190-55, que limita quem pode assistir às execuções militares e proíbe a presença de menores de idade. Apesar disso, o comandante responsável pela supervisão das forças militares possui autoridade para conceder exceções às regras, desde que não violem a legislação vigente ou regulamentos superiores.
Este episódio marca um momento de forte simbolismo na política de justiça militar dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que levanta debates sobre os limites, regulamentos e implicações de tornar uma execução pública uma prática oficial e acessível ao público.









