O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master, revelou à Polícia Federal que efetuou pagamentos a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), com o objetivo de facilitar negócios relacionados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A afirmação foi divulgada pela revista Veja e representa um novo capítulo na investigação que envolve financiamentos de produções cinematográficas e possíveis conexões políticas e empresariais durante o período do governo Lula.
Segundo a reportagem, Vorcaro teria entregado áudios e documentos que indicam a liberação de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo, destinados à produção do documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Além do filme, o ex-banqueiro também teria direcionado recursos ao Instituto Lula, entidade ligada ao ex-presidente, em um contexto que envolve negociações com fundos de previdência de empresas estatais e interesses de empresários ligados ao PT.
A investigação aponta que as movimentações financeiras de Vorcaro estariam associadas a negociações envolvendo o ex-tesoureiro do PT, Vaccari Neto, além de interesses de fundos de previdência de servidores públicos federais. Ainda de acordo com as informações divulgadas, o ministro da Saúde na época, Alexandre Padilha, também foi mencionado por Vorcaro no contexto dessas alegações. O banqueiro teria relacionado os pagamentos a uma estratégia de aproximação do PT, articulada por seu sócio na época, Augusto Lima, então CEO do Banco Master, que mantinha vínculos com Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado.
A confissão de Vorcaro também cita outros nomes de peso do PT, sugerindo uma rede de contatos e interesses que envolveriam a obtenção de recursos e facilitação de negócios no âmbito do governo federal. A reportagem da Itatiaia entrou em contato com a assessoria do Palácio do Planalto, e uma resposta oficial será incluída assim que disponível.
Além disso, o grupo jurídico Prerrogativas anunciou que solicitará à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar se Vorcaro foi incentivado a prestar depoimentos com informações prejudiciais à campanha do PT. Segundo Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo e próximo ao presidente Lula, há indícios de que o ex-banqueiro teria sido estimulado a declarar que financiou o documentário “Lula” em troca de benefícios judiciais, incluindo a possibilidade de libertar seu pai, Henrique Vorcaro, atualmente preso, e de obter regime domiciliar para Daniel após as eleições, com uso de tornozeleira eletrônica.
O caso ganha ainda mais relevância no contexto eleitoral, especialmente após a divulgação de informações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata Jair Bolsonaro e também envolve recursos atribuídos a Vorcaro. A produção, que tem sido alvo de questionamentos quanto à origem e ao montante dos recursos utilizados, passou a integrar a disputa política entre apoiadores de Lula e de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e candidato à Presidência pelo PL.
A Polícia Federal poderá investigar formalmente os fatos, caso aceite o pedido do grupo Prerrogativas, ampliando o escopo das apurações sobre a influência de recursos financeiros na política e na produção cinematográfica relacionada às campanhas eleitorais. A revelação de que Vorcaro teria pagado a Vaccari Neto e outros nomes do PT para facilitar negócios no governo Lula marca um momento de tensão na narrativa política e jurídica que envolve o ex-presidente e seus aliados.









