Desde a implementação do sistema de segundo turno na eleição presidencial brasileira, a prática tem mostrado que, na maioria dos casos, o candidato que lidera a disputa no primeiro turno também sai vitorioso na votação final. Essa tendência é observada desde a primeira eleição direta após a redemocratização, realizada em 1989, e permanece consistente até as eleições de 2022. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em sete ocasiões em que o pleito presidencial precisou de uma segunda rodada, o candidato que obteve a maior votação na primeira fase foi o mesmo que conquistou a vitória no segundo turno. As únicas exceções a esse padrão ocorreram nas eleições de 1994 e 1998, quando o resultado foi decidido já no primeiro turno, eliminando a necessidade de uma disputa adicional.
O segundo turno foi instituído pela Constituição Federal de 1988 com o objetivo de assegurar que o eleito para a Presidência da República tivesse mais de 50% dos votos válidos, promovendo maior legitimidade ao mandato. Essa regra também se aplica a governadores e prefeitos de municípios com mais de 200 mil habitantes, reforçando a importância de uma maioria absoluta na eleição direta. Quando nenhum candidato consegue atingir esse quórum no primeiro turno, os dois mais votados avançam para uma nova rodada de votação, na qual a disputa se reinicia, mas agora com o resultado da primeira fase como base para possíveis mudanças no cenário de apoio.
Para que o candidato que ficou em segundo lugar consiga reverter a vantagem do adversário, não basta apenas manter seu próprio eleitorado. É fundamental conquistar parte dos votos dos candidatos que ficaram de fora na primeira rodada, além de tentar diminuir a diferença entre os concorrentes entre os eleitores indecisos. Nesse contexto, a rejeição também desempenha papel importante, especialmente em campanhas polarizadas. Candidatos com altos índices de rejeição enfrentam dificuldades para ampliar sua base de apoio, o que torna as semanas entre o primeiro e o segundo turno decisivas para a definição do discurso e estratégias de atração de eleitores de centro.
Após a definição do resultado do primeiro turno, as negociações entre partidos e candidatos derrotados ganham destaque. Governadores, lideranças regionais e siglas que não avançaram na disputa podem se tornar aliados importantes, ajudando a ampliar a presença do candidato apoiado em diferentes regiões do Brasil. Além disso, as alianças podem envolver a incorporação de propostas dos candidatos que ficaram de fora, buscando fortalecer o plano de governo e ampliar a base de apoio. Paralelamente, os concorrentes precisam manter mobilizada sua própria base eleitoral, uma tarefa que se torna ainda mais relevante considerando a abstenção, que muitas vezes varia entre as duas rodadas. Assim, a participação dos eleitores torna-se uma estratégia fundamental para o sucesso no segundo turno.
Apesar de representar uma nova disputa, o histórico das eleições presidenciais brasileiras demonstra que, até hoje, quem liderou a votação no primeiro turno conseguiu manter sua vantagem até o resultado final. Essa tendência reforça a importância de uma campanha sólida e de estratégias de consolidação de votos desde a fase inicial do processo eleitoral.









