Uma aeronave caiu na manhã desta sexta-feira, 9 de outubro, no pátio de manutenção do metrô de Belo Horizonte, provocando uma situação de emergência na região Nordeste da cidade. Apesar do impacto, não houve vítimas além do piloto, que morreu no acidente, e cerca de 400 trabalhadores foram evacuados de suas instalações na concessionária Metrô BH. Uma moradora, Verônica Cruz, de 42 anos, que estava no metrô voltando para casa no momento da tragédia, contou detalhes sobre a reação de sua família ao saber do ocorrido, especialmente a de sua filha autista de 12 anos.
Segundo Verônica, ela recebeu várias mensagens e ligações de amigos preocupados com a possibilidade de sua residência na rua Jacuí, a aproximadamente um quilômetro do local do acidente, ter sido atingida pelo avião. Ela explicou que, embora estivesse no metrô na ocasião, sua mãe, tias e a filha estavam em casa, e o susto foi grande. “Se levasse um minuto a mais para o avião cair, teria atingido nossa casa. Foi um livramento. Todo mundo que está aqui está com medo até agora”, afirmou, pouco após o incidente.
A moradora destacou que o barulho do impacto foi tão intenso que a filha, que possui autismo com nível 1 de suporte, interpretou a situação como o colapso de um galpão, o que deixou a família ainda mais assustadapara. Ela descreveu o momento como aterrorizante para todos na residência, ressaltando o medo e a incerteza que ainda permanecem após o acidente.
O piloto, considerado por Verônica como um herói, tentou evitar estruturas e áreas próximas ao pátio de manutenção, o que, segundo ela, ajudou a minimizar danos maiores. “Estamos todos tristes com a morte dele, mas sabemos que ele foi um herói ao conseguir desviar das estruturas que tinha pela frente”, afirmou. A família, que reside em uma área onde pelo menos oito outras famílias também vivem, vive uma mistura de emoções, entre o alívio por não terem sido atingidos e a tristeza pela perda do profissional.
O acidente levou à evacuação de aproximadamente 400 trabalhadores do prédio administrativo da concessionária, mas, além do piloto, ninguém mais ficou ferido. Imagens obtidas por Verônica mostram os destroços da aeronave e o clima de desespero entre os presentes, reforçando a gravidade do episódio. Um vídeo divulgado pela moradora também revela o momento de tensão, com expressões de oração e o som de palavras como “O sangue de Jesus tem poder”, refletindo o impacto emocional do evento.
A aeronave envolvida no acidente saiu do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino a Juatuba, mas retornou ao ponto de origem, realizando uma manobra de emergência que resultou na queda. A aeronave possuía o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA), renovado horas antes do acidente pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com validade até 9 de outubro de 2027. A tragédia evidencia a importância de análises constantes de segurança e reforça a necessidade de atenção às condições de voo, mesmo em aeronaves que possuem documentação regularizada.








