Um tribunal de Nova Déli determinou neste domingo (11) a libertação do fundador e de dois líderes do movimento político juvenil Cockroach Janta Party (CJP), que haviam sido presos na véspera durante uma operação policial que reprimiu um grande protesto na capital indiana. A detenção ocorreu logo após o pouso de uma aeronave na qual viajavam os líderes, incluindo Abhijeet Dipke, fundador do movimento, que foi visto em vídeos gritando palavras de ordem como “Vão em frente e nos prendam! Vitória para a Mãe Índia! Viva a revolução!”. No mesmo dia, centenas de apoiadores do grupo também foram detidos pelas forças de segurança.
Conforme informações divulgadas pela chefe do departamento jurídico do CJP, Ratna Singh, a libertação foi autorizada pelo juiz executivo sob a condição de que os líderes não promovam “perturbação da paz por um ano”. A polícia de Nova Déli confirmou a liberação e as condições impostas por meio de suas redes sociais. Após sua libertação, Dipke criticou duramente o primeiro-ministro Narendra Modi, afirmando que retornava para casa para ficar com a família “neste momento de luto”. Ele também declarou que “o Presidente da Suprema Corte não recuará nem se deixará intimidar”.
Apesar da detenção de Dipke na manhã de sábado, o movimento CJP anunciou a continuidade dos protestos no domingo. Contudo, a presença de manifestantes foi limitada devido ao forte esquema de segurança, com milhares de agentes nas ruas e o centro de Nova Déli isolado, resultando em um número reduzido de participantes. As ações policiais foram rápidas na repressão aos distúrbios, com muitas pessoas sendo detidas no local do protesto, conforme relatos de testemunhas à CNN Internacional. De acordo com a Reuters, mais de 2.000 manifestantes foram presos durante o sábado.
O movimento CJP, que surgiu em maio como uma brincadeira na internet entre a geração Z, evoluiu para uma campanha de resistência contra o governo de Narendra Modi. Em julho, suas ações contribuíram para a maior retratação do governo nos últimos anos, levando à renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, envolvido em um escândalo de vazamento de provas. O foco atual do protesto é o presidente da Comissão Eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar, acusado de estar envolvido em um processo de exclusão de eleitores falecidos, duplicados ou inelegíveis, uma ação que, segundo opositores, favorece o BJP de Modi ao reduzir o número de eleitores elegíveis.
Apesar do bloqueio de internet móvel e do reforço policial na capital, apoiadores do movimento continuaram a se reunir, embora em menor número, enquanto as forças de segurança atuavam para dispersar os manifestantes. No sábado, o partido governista Bharatiya Janata Party (BJP) condenou a prisão dos líderes do CJP, classificando a ação como uma tentativa de paralisar manifestações pacíficas. Nitin Nabin, presidente do BJP, acusou o Supremo Tribunal de tentar desestabilizar a Índia, alegando que a corte estaria sob influência de forças estrangeiras.
O nome do movimento, ‘CJP’, tem origem em uma declaração do presidente do Supremo Tribunal indiano, que em maio teria usado as palavras “baratas” e “parasitas” para se referir a jovens desempregados no país. Posteriormente, ele alegou ter sido mal interpretado, mas Abhijeet Dipke adotou o termo, simbolizando a resistência e a persistência do grupo. Desde sua criação, o movimento tem se engajado em protestos nacionais, incluindo manifestações pela destituição do ministro da Educação, o que resultou na renúncia de Pradhan em julho.
O protesto planejado para sábado tinha como alvo a Comissão Eleitoral, sob a acusação de manipulação de listas eleitorais para beneficiar o BJP. O processo de remoção de eleitores mortos ou duplicados envolve milhões de nomes, e opositores alegam que a comissão estaria excluindo eleitores válidos para favorecer o partido de Modi. A Comissão Eleitoral e o BJP negam as acusações, e a CNN Internacional buscou comentários oficiais de ambas as instituições.
Enquanto isso, o movimento CJP planeja retomar suas ações na histórica praça Jantar Mantar, no centro de Nova Déli, buscando ampliar seu impacto e testar a eficácia de sua estratégia de mobilização contra o sistema eleitoral indiano. Jovens apoiadores, como Muskaan, de 19 anos, participante das manifestações anteriores, expressaram esperança de que os protestos possam continuar a pressionar por mudanças, apesar das dificuldades enfrentadas. O movimento permanece como uma expressão de insatisfação crescente entre os jovens indianos, que questionam a transparência e a integridade do sistema democrático do país.









