Um estudo recente publicado na revista Frontiers in Pain Research nesta segunda-feira revelou que escutar a música preferida durante procedimentos médicos pode aliviar a sensação de dor. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Zurique, na Suíça, reforça a ideia popular de que a música tem potencial terapêutico, especialmente na redução do desconforto causado por intervenções clínicas simples, como a inserção de um cateter.
O estudo envolveu cerca de 204 pacientes submetidos a uma ressonância magnética, procedimento que exige a inserção de contraste em veias por meio de cânula, uma etapa reconhecida por sua dor e desconforto. Os participantes foram divididos em dois grupos: 153 ouviram músicas de relaxamento ou específicas, enquanto 51 compuseram o grupo de controle, sem intervenção musical. Além disso, os pacientes foram subdivididos de acordo com o estilo musical escolhido, incluindo Mozart, música relaxante e a preferência individual de cada um.
Os resultados mostraram que, entre as condições avaliadas, apenas a música favorita e as composições de Mozart apresentaram efeitos positivos na redução da dor. A música predileta mostrou-se eficaz tanto para pacientes que já apresentavam dores crônicas quanto para aqueles sem dor pré-existente, enquanto a música clássica teve efeito apenas em pacientes que já apresentavam desconforto físico. Para mensurar a intensidade da dor, os pesquisadores utilizaram uma escala de 1 a 10, na qual os pacientes avaliavam o desconforto antes, durante e após o procedimento, além de avaliações feitas 30 segundos e dois minutos após a intervenção médica.
Os dados indicaram que, especialmente nos dois últimos momentos, os pacientes que escutaram suas músicas preferidas relataram uma diminuição significativa na percepção de dor. No grupo com dores preexistentes, a redução foi observada já na fase de inserção da agulha, enquanto aqueles que ouviram Mozart relataram alívio aos dois minutos do procedimento. Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que a melhora na percepção da dor ocorre mais intensamente após alguns minutos, mas uma hipótese levantada sugere que a atenção dos pacientes pode ter se desviado inicialmente da música devido ao desconforto inicial.
A pesquisa também abordou a questão da eficácia da música relaxante, que não apresentou resultados tão expressivos. Segundo Garcia Alzamora, um dos autores do estudo, o ritmo lento e o volume baixo dessas composições podem explicar a falta de efeito significativo na redução da dor. Além disso, especialistas destacam que a variabilidade na percepção da dor entre os indivíduos torna o procedimento altamente subjetivo, mesmo com instrumentos de medição padronizados.
A equipe de pesquisadores enfatiza a importância de continuar estudos na área, especialmente para entender melhor os mecanismos que levam à diminuição do desconforto. Segundo Andrei Cristinel Dragnea, também da Universidade de Zurique, a meta da medicina moderna é não apenas oferecer diagnósticos e tratamentos eficazes, mas também minimizar o impacto do procedimento na experiência do paciente, buscando estratégias que tornem esses momentos mais toleráveis. Assim, a pesquisa reforça a potencialidade da música como recurso complementar na prática clínica, contribuindo para procedimentos mais humanizados e menos dolorosos.








