Após liderar o primeiro turno da eleição presidencial de 2026, o senador e candidato do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, destacou-se não apenas pelo apoio político recebido de partidos e candidatos derrotados, mas também por uma disparidade expressiva nas doações de pessoas físicas em comparação ao seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até a semana passada, Flávio acumulou R$ 2,55 milhões em doações de indivíduos, enquanto Lula recebeu apenas R$ 14,5 mil, configurando uma diferença de 175 vezes.
No cenário eleitoral, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, frente a 45,16% do então presidente Lula, o que representa uma vantagem de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Essa marca inédita na história da política brasileira evidencia a força do candidato do PL na disputa, especialmente considerando que, tradicionalmente, o candidato que lidera no primeiro turno costuma consolidar sua vantagem até a vitória. A eleição de 2026, portanto, apresenta um cenário de inovação e surpresa, com o candidato que saiu na frente no primeiro turno enfrentando dificuldades para consolidar a vitória.
O volume de recursos arrecadados por Flávio Bolsonaro neste segundo turno tem como base três doações de grande valor, todas realizadas por empresários brasileiros. As contribuições mais expressivas incluem duas transferências de R$ 500 mil e uma de R$ 1 milhão. A maior delas foi efetuada por Angela Cristina Cattozatto Fortunato, esposa do empresário Francisco Fortunato, CEO e proprietário do Grupo Oswaldo Cruz Química (OCQ). Fundado em 1984 pelos irmãos Francisco, Domingos e Sérgio Fortunato, o Grupo OCQ é reconhecido como um dos maiores do setor na América Latina, com mais de 15 empresas e mais de 30 unidades operacionais.
Outra doação significativa foi feita por Claudio Nudelman Goldsztein, empresário do ramo imobiliário de Porto Alegre (RS). Na quinta-feira, dia 8 de novembro, ele repassou R$ 500 mil à campanha de Flávio Bolsonaro. Goldsztein também teve atuação política anterior, tendo coordenado, entre 2015 e 2016, o Movimento Vem pra Rua no Rio Grande do Sul, uma organização que mobilizou manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
A terceira contribuição veio dos irmãos Rogério e Aluizio Merlin Ribeiro, sócios de empresas do setor de agronegócio, ligadas ao cultivo e esmagamento de soja. Ambos enviaram R$ 250 mil cada um, totalizando R$ 500 mil. Eles participam de empresas como Óleos Vegetais Taquarussu, sediada no Rio Grande do Sul, e Incobrasa, uma das maiores companhias de soja nos Estados Unidos, fundada por Renato Bastos Ribeiro, pai dos irmãos. Além de contribuírem com a campanha de Flávio Bolsonaro, os irmãos Merlin Ribeiro apoiaram quase 20 outras candidaturas, incluindo as campanhas de Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL), ambos eleitos para o Senado pelo Rio Grande do Sul.
Os doadores Claudio Goldsztein e Angela Fortunato limitaram suas doações às eleições de 2026, enquanto os irmãos Merlin Ribeiro têm histórico de apoio a múltiplas candidaturas, demonstrando uma estratégia de financiamento diversificado no cenário político brasileiro. Esses aportes financeiros, sobretudo de grandes empresários, refletem uma estratégia de apoio que pode influenciar o andamento da campanha e o resultado final do pleito, que ainda está em disputa.








