A equipe de transição do futuro governador de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), iniciou oficialmente suas atividades ao solicitar ao governo atual, liderado por Mateus Simões (PSD), informações detalhadas sobre o déficit fiscal previsto para o exercício de 2027. A primeira medida foi o envio de um pedido formal de dados, especialmente relacionados às projeções financeiras do Estado, com o objetivo de fundamentar o planejamento do novo governo. Essa iniciativa ocorre em um momento de acirramento dos debates políticos e preocupações técnicas acerca da saúde fiscal de Minas Gerais.
De acordo com informações oficiais, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027, enviado à Assembleia Legislativa, previa inicialmente um déficit de aproximadamente R$ 8,9 bilhões. No entanto, esse valor foi revisado após o governo atualizar os números relativos ao orçamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o que elevou a previsão de déficit para R$ 10,5 bilhões. Esse montante representa o dobro do déficit estimado para 2026, indicando uma deterioração das contas públicas do Estado. Além das despesas com o pagamento de dívidas, Minas Gerais deverá desembolsar cerca de R$ 4,6 bilhões em 2027 para o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), além de reservar R$ 1,84 bilhão para o pagamento de empréstimos contraídos junto a credores estrangeiros.
As divergências entre o atual governador e o futuro gestor também se manifestaram em declarações públicas. Durante uma transmissão online da sua primeira reunião de transição, Mateus Simões insinuou que o Estado pode não conseguir pagar os salários do funcionalismo em dia em janeiro de 2027, o que gerou reação imediata de Cleitinho. O eleito afirmou que, se ocorrer atraso no pagamento dos salários no primeiro mês do próximo mandato, isso seria uma demonstração de incompetência do governo atual. Em resposta, o governo de Mateus Simões anunciou que os salários referentes ao mês de dezembro de 2026 serão depositados até o dia 6 de janeiro de 2027, data prevista para a posse de Cleitinho. Além disso, garantiu o pagamento integral do 13º salário ainda neste ano, reforçando o compromisso de manter as obrigações salariais em dia.
Para o futuro governo, a prioridade é obter informações mais detalhadas sobre a situação financeira do Estado, buscando clareza e transparência. Nesse sentido, Luís Eduardo Falcão, coordenador da equipe de transição de Cleitinho, comunicou que enviou ao governo atual um pedido formal de dados específicos sobre a disponibilidade de recursos financeiros de Minas Gerais. Ele destacou que, apesar do clima de provocações, a disposição do grupo eleito é colaborar de forma construtiva, com o objetivo de planejar a gestão de 2027 com base em dados precisos e confiáveis.
As reuniões de transição entre as equipes dos governos atual e eleito deverão acontecer entre os dias 23 de outubro e 23 de novembro. Essas discussões serão conduzidas pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), que informou estar ciente de que estará ausente por um mês a partir do final de outubro, devido a compromissos pessoais. O andamento dessas negociações será fundamental para estabelecer um entendimento claro sobre a situação fiscal do Estado e definir estratégias para o próximo mandato, em um momento de complexidade financeira e desafios políticos.








