Um tubarão-baleia, conhecido como Milo, atingiu um marco inédito na história da espécie ao nadar mais de 54 mil quilômetros ao longo de quase uma década de monitoramento contínuo, estabelecendo um recorde mundial de migração entre os exemplares dessa espécie. O animal, um macho, tem sido acompanhado por pesquisadores desde 2017, em um projeto de longa duração conduzido pela Fundação Guy Harvey, em parceria com a organização mexicana Ch’ooj Ajauil AC e as universidades de Nova Southeastern e de Rhode Island, nos Estados Unidos.
O acompanhamento de Milo é parte de um estudo que visa compreender melhor os hábitos de vida, rotas migratórias e ciclos sazonais do tubarão-baleia, uma espécie classificada como ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Para isso, transmissores por satélite foram instalados em sua nadadeira em diferentes anos — 2017, 2018, 2020, 2023 e 2026 — permitindo o rastreamento preciso de seus deslocamentos ao longo dos oceanos.
Durante esse período, Milo percorreu diversas regiões, incluindo o Golfo do México, o Caribe, as Bermudas e partes do litoral dos Estados Unidos. Apesar de sua extensa jornada, o animal apresenta um comportamento de retorno periódico a uma área próxima à Península de Yucatán, no México, onde encontra condições favoráveis de alimentação. Essa região, conhecida por sua abundância de alimentos para o tubarão-baleia, serve como ponto de descanso e alimentação, facilitando o monitoramento contínuo do animal pelos pesquisadores, que aproveitam suas visitas frequentes para estudar seu comportamento ao longo dos anos.
Segundo Guy Harvey, presidente e fundador da Fundação que conduz o estudo, a pesquisa de longo prazo é fundamental para uma compreensão aprofundada do ciclo de vida de animais tão longevos e migratórios. A capacidade de marcar e acompanhar Milo por quase uma década, além de realizar múltiplas reavaliações, representa uma inovação no estudo da espécie e fornece dados essenciais para estratégias de conservação.
Harvey destacou ainda que o tubarão-baleia, apesar de sua grande escala e comportamento migratório, está sob risco de extinção, o que reforça a importância de ações de proteção. Além de Milo, outros exemplares da espécie receberam transmissores, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre seus hábitos, rotas e períodos de alimentação. Essas informações são consideradas essenciais para orientar políticas de preservação e ações de conservação que possam garantir a sobrevivência dessa espécie ameaçada.
O estudo, que combina tecnologia de rastreamento avançada e monitoramento de longo prazo, representa um avanço significativo na pesquisa sobre os tubarões-baleia, contribuindo para a compreensão de suas necessidades ecológicas e para o desenvolvimento de estratégias eficazes de proteção.








