O perfil fictício de uma mulher, criado por inteligência artificial e conhecido como “Jéssica Fazendeira”, foi removido das redes sociais. A página, que acumulava mais de 300 mil seguidores, foi retirada do ar sem que se saiba ao certo se a ação ocorreu após denúncias ou por decisão dos próprios administradores. O caso veio à tona após um pedreiro maranhense, identificado como Edimar Rocha Martins, de 49 anos, viajar de sua cidade natal até Minas Gerais na tentativa de conhecer pessoalmente a suposta mulher, acreditando na veracidade de seus vídeos. Ao chegar em Belo Horizonte, ele descobriu que a figura era uma criação virtual, feita por inteligência artificial.
O perfil apresentava uma mulher loira, frequentemente retratada em cenários rurais, como fazendas, com imagens de caminhonetes, celeiros e animais, reforçando a narrativa de uma vida no campo. Nas postagens, ela convidava seguidores a morarem com ela, prometendo uma vida tranquila e abundante. Além disso, a personagem contava uma história de que morava na região e buscava companhia, alegando, por exemplo, sentir-se sozinha e criticando a resistência de homens que, ao saberem que ela vivia na roça, paravam de responder suas mensagens. Em outros momentos, ela expressava o desejo de encontrar um homem para morar na fazenda, assumindo um perfil de mulher tradicional, que gosta de tarefas domésticas e de mostrar sua essência “raiz”.
A personagem também prometia sustentar quem quisesse se mudar para o interior de Minas Gerais, oferecendo uma vida de realeza, e justificava sua escolha pela preferência por morar na fazenda, alegando que a cidade grande era barulhenta. Entre os vídeos, ela mencionava que tinha um filho que cresceu na fazenda e que, posteriormente, se mudou para a Suíça. Além disso, a página exibia propagandas de lojas virtuais, aproveitando o alcance do perfil para monetizar o conteúdo.
O caso ganhou repercussão após o pedreiro Edimar relatar que, motivado por acreditar na história, gastou seu salário e viajou cerca de 2 mil quilômetros para encontrá-la em Belo Horizonte. Ao chegar na capital mineira, ele foi informado por outras pessoas de que poderia ter sido vítima de um golpe. Ainda assim, tentou localizar a mulher, mas foi alertado de que tudo não passava de uma criação virtual.
Especialistas em inteligência artificial, como o professor Marcos Flávio, explicam que esse tipo de conteúdo é produzido com o objetivo de atingir públicos vulneráveis, especialmente pessoas que não compreendem completamente as tecnologias envolvidas. Segundo ele, muitas dessas interações são facilitadas por chatbots — programas de inteligência artificial capazes de responder de forma rápida e, às vezes, personalizada, criando a impressão de uma conversa real.
O especialista também aponta que esses perfis podem ser utilizados para diversas finalidades, incluindo a monetização por meio de venda de seguidores, revenda de perfis ou divulgação de produtos. Alguns utilizam técnicas de deep fake, que consistem na manipulação de vídeos com rostos de pessoas famosas, com o objetivo de atrair idosos ou outros grupos vulneráveis, simulando uma presença real.
Por isso, recomenda-se atenção redobrada ao se deparar com vídeos ou perfis suspeitos nas redes sociais, observando sinais como vozes alteradas, iluminação estranha ou movimentos artificiais, que podem indicar a utilização de tecnologia de manipulação digital.
O caso reforça a importância de conscientizar o público sobre os riscos de enganos virtuais cada vez mais sofisticados, especialmente aqueles que envolvem a criação de perfis falsos por inteligência artificial com o objetivo de enganar e explorar seguidores.








