A Agência Nacional do Cinema (Ancine) divulgou na noite desta quarta-feira, 14 de outubro, um comunicado oficial referente ao incidente de segurança ocorrido nesta semana, envolvendo uma invasão hacker em seu sistema digital. O ataque, que aconteceu na segunda-feira, 12 de outubro, resultou na exibição de uma “pichação virtual” na página inicial do Sistema Digital da agência, contendo mensagens de ódio direcionadas à população nordestina, além de ataques às universidades públicas e manifestações de apoio a figuras políticas e produções cinematográficas relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com informações fornecidas pela própria Ancine, o ataque foi detectado por volta do meio-dia da segunda-feira, momento em que o sistema foi imediatamente retirado do ar para evitar maiores danos. O site permaneceu indisponível por algumas horas, até que, nesta quarta-feira, a agência anunciou a retomada do serviço, agora com melhorias de segurança implementadas para prevenir novos incidentes. A entidade reforçou que, segundo suas avaliações, não houve impacto na integridade dos dados ou informações confidenciais, garantindo que o incidente foi restrito à exibição da mensagem de vandalismo na tela inicial.
A invasão deixou a página principal do Sistema Ancine Digital, plataforma utilizada por servidores da agência e profissionais do mercado audiovisual, completamente alterada. Em seu lugar, foi exibida uma imagem do candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, usando óculos escuros e uma camisa do Brasil. Além disso, uma montagem mostra a deputada federal Júlia Zanatta, também do PL, chicoteando uma imagem do mapa da região Nordeste, reforçando o conteúdo de cunho ofensivo e político-partidário.
A “pichação virtual” também apresentou mensagens de ódio dirigidas à população nordestina, incluindo expressões como “nordestinos burros”, além de ataques às universidades públicas e às chamadas “comunistas”. Outras mensagens alegavam fraudes nas eleições e manifestavam apoio ao filme biográfico de Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse”. Essas ações representam uma escalada de ataques virtuais que, além de vandalismo, carregam uma forte carga de intolerância e desinformação, evidenciando a vulnerabilidade de plataformas públicas frente a ataques cibernéticos.
A Ancine declarou que tomará todas as providências necessárias para apurar o caso, reforçando seu compromisso com a segurança da informação, a proteção de dados e a continuidade dos serviços essenciais. A agência também destacou que continuará monitorando e aprimorando seus sistemas de defesa digital para evitar que incidentes semelhantes se repitam, garantindo a integridade de seus canais de comunicação e o funcionamento seguro de suas plataformas.









