A delegada Ana Paula Lamego Balbino, que esteve afastada das funções na Polícia Civil de Belo Horizonte por mais de um ano, retornou ao trabalho na primeira semana de outubro de 2025. Ela havia sido afastada em agosto de 2024, dois dias após o homicídio do gari Laudemir de Souza Fernandes, ocorrido na região Oeste da capital mineira. Desde então, Ana Paula permaneceu afastada por sucessivas licenças médicas, recebendo remuneração normalmente, conforme dados do Portal da Transparência, que indicam um pagamento de R$ 23.418,72 referente ao mês de agosto deste ano.
A volta às atividades ocorre após a delegada receber um ajustamento funcional por 120 dias, válido até janeiro de 2027, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quinta-feira, 15 de outubro. Essa medida visa adequar as atividades exercidas por Ana Paula às suas limitações físicas ou mentais, buscando evitar o agravamento de sua condição de saúde e, sempre que possível, promover seu restabelecimento. O ajustamento é uma prática comum na administração pública para garantir a continuidade do serviço sem comprometer o bem-estar do servidor.
O caso envolvendo Ana Paula ganhou destaque devido à sua relação com o crime que resultou na morte de Laudemir Fernandes. O homicídio ocorreu em 13 de agosto de 2024, durante uma discussão de trânsito no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte. Investigações apontaram que a arma utilizada no crime estava registrada em nome da própria delegada. Desde o início do afastamento, ela permaneceu afastada das atividades, com licenças médicas prorrogadas sucessivamente, embora continue recebendo salário.
O réu pelo homicídio, Renê da Silva Nogueira Júnior, esposo de Ana Paula, foi indiciado por três crimes: homicídio duplamente qualificado, ameaça contra uma motorista de caminhão de coleta de lixo e porte ilegal de arma de fogo. Renê confessou ter efetuado o disparo fatal, que resultou na morte de Laudemir. Após o crime, o empresário manteve sua rotina habitual, sendo visto trabalhando, passeando com seus cães e frequentando uma academia. Sua prisão ocorreu posteriormente, após a polícia localizar e apreender a arma utilizada no crime.
Mensagens trocadas entre Renê e Ana Paula também chamaram atenção. Segundo o inquérito policial, o empresário enviou mensagens pedindo que a esposa entregasse uma arma diferente daquela usada no homicídio, especificamente uma pistola nove milímetros, e afirmou que “não pegava a outra”. Ana Paula, por sua vez, não respondeu às mensagens. Antes de ser preso, Renê enviou uma última mensagem à esposa, alegando que “estava no lugar errado na hora errada” e que “não fez nada”. A arma utilizada no crime foi confirmada como sendo de propriedade da delegada, que foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo ao ter cedido o armamento ao marido.
De acordo com a Lei do Desarmamento, o porte ilegal de arma de fogo pode resultar em pena de 2 a 4 anos de prisão. No entanto, por Ana Paula ser servidora pública, a pena pode ser aumentada em até dois anos, conforme previsão legal. O caso permanece sob investigação, e a Polícia Civil aguarda manifestações oficiais de seus órgãos e da defesa da delegada.







