O padre Fábio de Melo compartilhou, de forma franca e emocional, detalhes sobre sua saúde mental durante participação no programa “Sem Censura”, exibido pela TV Brasil na última quarta-feira, 14 de outubro. Em entrevista conduzida por Cissa Guimarães e outros convidados, o religioso revelou que nunca experimentou um despertar verdadeiramente feliz ao longo de sua vida. Diagnosticado com depressão crônica, ele explicou que a sensação de tristeza acompanha suas manhãs independentemente do contexto ou das circunstâncias externas.
Durante a entrevista, Padre Fábio afirmou que, desde a juventude, sua rotina matinal é marcada por um sentimento de desânimo. “Desde que me entendo por gente, eu nunca acordei feliz. Eu posso estar no melhor lugar do mundo. Eu não acordo feliz. É meu. É uma sombra que eu levo, e eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha criatividade. É isso que me faz ter a sensibilidade que eu tenho”, declarou. Segundo ele, essa sombra, embora desafiadora, também contribui para sua sensibilidade artística e espiritual.
O padre explicou que o desânimo matinal é uma constante em sua rotina, exigindo um período de adaptação até que consiga recuperar a disposição para o dia. Ele ressaltou que não é uma pessoa naturalmente eufórica, e que costuma acordar triste e desanimado. “Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava super feliz no outro dia, eu amanheço arrependido. Meu Deus, por que eu fui fazer isso?”, relatou, ilustrando a complexidade de suas emoções.
Sobre o tratamento da depressão, Padre Fábio revelou que já passou por fases em que utilizou doses mais elevadas de medicação. Apesar de, naquele período, apresentar uma disposição maior e comportamentos considerados positivos por pessoas próximas, ele admitiu que não se reconhecia naquelas versões de si mesmo. Com o tempo, ajustou a dosagem dos medicamentos, buscando um equilíbrio que lhe permitisse compreender melhor suas oscilações emocionais e respeitar seu próprio ritmo de recuperação.
Apesar de conviver diariamente com a tristeza, o religioso destacou que isso não o impede de ter uma relação positiva com a vida. Ele afirmou que encontra satisfação em atividades simples, como a leitura, uma de suas paixões. “Embora eu não tenha essa felicidade todo dia, abrindo as portas do meu quarto e inundando de sol e de alegrias a minha vida, eu tenho uma relação muito saudável com a vida. Me dê um livro de Dostoiévski, você esquece que eu existo, não dou trabalho para ninguém. Eu não tenho vícios, eu não me considero uma pessoa chata”, comentou.
Fábio de Melo também abordou o impacto de sua condição nos relacionamentos interpessoais. Ele admitiu que costuma ser exigente consigo mesmo e que, muitas vezes, prefere a solidão para evitar que suas dificuldades emocionais prejudiquem outras pessoas. Essa preferência por momentos de isolamento é uma estratégia para preservar seus vínculos e evitar que suas oscilações afetem terceiros.
Por fim, o padre destacou que sua experiência com a depressão influencia sua abordagem à fé e ao acolhimento de quem busca seus conselhos. Para ele, reconhecer suas próprias fragilidades é fundamental para compreender que cada indivíduo enfrenta a vida de uma forma única e pessoal, o que reforça sua empatia e sensibilidade na prática religiosa.









