Servidores e representantes da Ancine (Agência Nacional do Cinema) manifestaram nesta semana a necessidade de uma investigação rigorosa por parte da Polícia Federal (PF) em relação ao ataque hacker que atingiu o site da agência na última segunda-feira, dia 12 de outubro. O incidente, classificado por entidades sindicais como uma agressão às ações de fiscalização e ao funcionamento da instituição, resultou na interrupção do Sistema Ancine Digital (SAD) por aproximadamente 48 horas, prejudicando atividades essenciais e o atendimento ao público externo.
Segundo nota conjunta do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) e da Associação das Servidoras e dos Servidores Públicos da Ancine (Aspac), a invasão comprometeu o acesso a informações estratégicas sobre empresas, obras e projetos audiovisuais, além de afetar áreas como registro, fiscalização e fomento. O sistema, alimentado por servidores internos e usuários externos, é considerado indispensável para o funcionamento cotidiano da agência. A nota destaca que, durante o período de indisponibilidade, funcionários relataram dificuldades para atender demandas urgentes, principalmente relacionadas à fiscalização de atividades no setor audiovisual.
A ação criminosa também teve um caráter de ataque simbólico, ao redirecionar os usuários para uma página que exibiu uma imagem do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), usando óculos escuros e uma camisa do Brasil. Além disso, a página apresentava mensagens de ódio direcionadas à população nordestina, além de ataques às universidades públicas e às instituições democráticas, com referências a alegações de fraude eleitoral, além de manifestações de apoio ao filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse. Outras imagens incluíam uma montagem da deputada federal Júlia Zanatta (PL) chicoteando um mapa da região Nordeste, reforçando o conteúdo de intolerância e preconceito propagado pelos invasores.
A Ancine, por sua vez, descreveu o ataque como uma “pichação virtual” e assegurou que não houve impacto no sistema ou violação de dados e informações sensíveis. A agência afirmou que adotará as medidas necessárias para apurar o episódio, reforçando seu compromisso com a segurança da informação, a proteção de dados e a continuidade de seus serviços. A nota também ressaltou que o Sistema Ancine Digital é fundamental para as operações diárias da agência, incluindo registros, fiscalização e fomento, e que sua indisponibilidade gerou prejuízos às atividades regulatórias e ao atendimento ao público.
O episódio ocorre em um momento particularmente delicado para a Ancine, que celebra 25 anos de existência. Atualmente, a agência enfrenta uma ameaça de extinção, representada pelo Projeto de Lei 994/2026, apresentado pelo deputado federal Capitão Augusto (PL-SP). A proposta, que tramita no Congresso Nacional, faz parte de um movimento de setores da extrema direita que defendem o enfraquecimento ou o encerramento de instituições públicas responsáveis pela regulação e proteção do interesse coletivo. A atuação da Ancine na regulação, fiscalização e fomento do setor audiovisual brasileiro é reconhecida por sua contribuição para o crescimento econômico e cultural, tendo movimentado R$ 81,1 bilhões em 2025, o equivalente a 0,64% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
A importância da agência, que desempenha papel estratégico na estruturação do setor audiovisual, reforça a necessidade de políticas públicas sólidas e de uma instituição forte, autônoma e capaz de garantir sua continuidade. Recentemente, a Aspac divulgou uma Carta Aberta com propostas para o fortalecimento da agência e do futuro da política audiovisual brasileira, disponível no site oficial da entidade.
Os sindicatos reforçam que os servidores da Ancine permanecem ao lado da instituição, defendendo sua autonomia, sua existência e as condições necessárias para que cumpra sua missão de regular e fiscalizar o mercado audiovisual brasileiro. A entidade reiterou que a Ancine pertence à sociedade brasileira e deve seguir atuando em defesa do interesse público, mesmo diante de ameaças e ataques virtuais.









