A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) confirmou nesta quarta-feira, 14 de outubro, um novo caso de raiva em morcego na capital mineira, elevando para 11 o total de animais diagnosticados com a doença neste ano. O animal foi encontrado na regional Venda Nova no dia 8 de outubro, e o resultado positivo para o vírus foi divulgado após análise laboratorial. Este é o mais recente episódio de uma série de ocorrências que vêm sendo monitoradas pelas autoridades de saúde municipais, reforçando a necessidade de vigilância e ações preventivas na cidade.
Desde o início do ano, todos os casos confirmados de raiva em Belo Horizonte têm sido em morcegos. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) destacou que a última vez que houve registros de raiva em outros tipos de animais na cidade foi em 2022, quando 21 morcegos e um gato testaram positivo para a doença. Os dados atualizados nesta quinta-feira, 15 de outubro, mostram que esses 11 casos estão distribuídos por seis diferentes regionais da cidade, com três ocorrências no Barreiro, três na Leste, dois na Norte, e uma em cada das seguintes áreas: Centro-Sul, Pampulha e Venda Nova. Essa dispersão indica que a doença está presente em diversas áreas do município, reforçando a importância do controle e da conscientização.
A raiva é uma doença infecciosa de evolução rápida e potencialmente fatal, causada por um vírus que ataca o sistema nervoso central. Após a contaminação, o vírus pode provocar encefalite — inflamação do cérebro — e, na maioria dos casos, leva ao óbito. A transmissão ao ser humano ocorre principalmente por meio da saliva de animais infectados, por mordidas, arranhaduras ou lambeduras. O período de incubação varia, mas geralmente dura de dois a dez dias, durante os quais o paciente pode apresentar sintomas iniciais como mal-estar, náuseas, irritabilidade, dor de cabeça, dor de garganta, além de sensações de entorpecimento e inquietação.
Se a doença evolui, o paciente pode desenvolver manifestações mais graves, incluindo febre, delírios, espasmos musculares involuntários e convulsões. Espasmos na garganta, língua e faringe podem causar intensa salivação e dificuldades na deglutição, levando à sialorreia. Em fases avançadas, a infecção provoca paralisia, alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e constipação intestinal. Outros sinais incluem hiperacusia, fotofobia e alucinações, podendo culminar em coma e morte.
Diante do risco, a PBH reforça que a vacinação anual de cães e gatos é fundamental para prevenir a transmissão da raiva aos seres humanos. A administração da vacina nesses animais é uma estratégia eficaz de controle, uma vez que reduz a circulação do vírus na população animal e, consequentemente, o risco de contato com humanos. Além da vacinação, a Secretaria recomenda cuidados ao lidar com animais domésticos e silvestres, especialmente evitando aproximações de cães e gatos durante a alimentação, repouso ou crias.
A orientação também inclui evitar contato com animais soltos ou abandonados, que podem representar risco de transmissão. Quanto aos morcegos, a recomendação é não tocá-los ou manipulá-los, sobretudo quando apresentarem comportamento atípico ou estiverem mortos. Caso alguém encontre morcegos caídos, pendurados em locais incomuns ou exibindo sinais de comportamento estranho, deve acionar imediatamente os órgãos responsáveis pelo controle de zoonoses. Essas ações visam prevenir possíveis casos de raiva e garantir a segurança da população, considerando a gravidade da doença e a necessidade de vigilância contínua na cidade.









