Uma mulher de 30 anos foi denunciada por sua própria família por suspeita de manter o irmão, de 33 anos, que possui deficiência intelectual severa, trancado em um cômodo de uma residência localizada em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo relatos de familiares, o homem estaria em condições precárias de higiene e sem os cuidados necessários para sua saúde e bem-estar.
De acordo com a denúncia, o irmão, que morava com a mãe até sua morte, ocorrida há aproximadamente cinco anos, passou a ser cuidado pela irmã após o falecimento da mãe. Os familiares afirmam que, após a morte da mãe, ela teria impedido que seus tios, que também tinham interesse em assumir o cuidado do rapaz, mantivessem contato ou responsabilidade sobre ele. Posteriormente, a mulher levou o irmão para morar na casa onde a mãe residia e, desde então, teria restringido qualquer contato dele com outros familiares.
Recentemente, os familiares tomaram conhecimento de que o homem estaria sendo mantido trancado em um cômodo do imóvel herdado da mãe. Alexandre Barbosa Rodrigues, tio da vítima, foi até o local e registrou um vídeo que mostra o sobrinho tentando abrir uma porta reforçada com grades e trinco. No vídeo, é possível ver o homem dentro do cômodo, sem acesso ao exterior, em condições que indicam negligência.
Em entrevista à reportagem da Itatiaia, Alexandre relatou que encontrou o sobrinho trancado dentro de casa, sem ter tomado café da manhã, e em condições de higiene bastante precárias. Segundo ele, era por volta das 11 horas da manhã quando o tio chegou ao imóvel e constatou a situação. “O menino tava dentro de casa trancado, todo mijado, cagado, e sem tomar o café. Ele também toma remédio controlado”, afirmou o tio, demonstrando preocupação com o estado de saúde do irmão.
O familiar destacou que a família já havia registrado ocorrências anteriores relacionadas ao caso e que busca providências das autoridades competentes. Equipes da assistência social e do Ministério Público estiveram no local para averiguar a situação, mas, até o momento, os familiares continuam aguardando uma solução definitiva. Alexandre declarou que, enquanto isso, o sobrinho sofre com maus-tratos e a negligência. “Enquanto isso, o Geovani tá sofrendo. Maus-tratos”, afirmou, referindo-se ao nome do irmão.
Além das condições de higiene e do confinamento, o tio revelou que o rapaz faz uso de medicamentos controlados, incluindo Gardenal, e apresenta crises convulsivas que podem ocorrer a qualquer momento. Ele demonstrou preocupação com o fato de o irmão passar as noites sozinho, o que aumenta o risco de complicações durante crises convulsivas. “Ele não tem hora para dar crise convulsiva. Ele dá crise convulsiva qualquer hora porque, igual tô te falando, ele toma Gardenal. Mesmo tomando esses remédios, ele ainda tem crise. […] Ele fica sozinho, ele passa a noite sozinho e tudo mais”, explicou.
A reportagem da Itatiaia entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para obter informações sobre a investigação do caso e sobre a possibilidade de responsabilização criminal da mulher denunciada. Até o momento da publicação desta matéria, o órgão não havia se manifestado oficialmente sobre o episódio.









