A Polícia de Israel anunciou nesta segunda-feira, 19 de outubro, a detenção de dez suspeitos envolvidos em atos de violência ocorridos na Cisjordânia durante o fim de semana, incluindo o ataque que resultou na ferimento de uma jornalista estadunidense que trabalhava para o jornal Washington Post. Além disso, diplomatas de países europeus também foram alvo de agressões na mesma região, na sequência de episódios de violência que vêm aumentando na área.
Segundo informações oficiais, os suspeitos foram capturados em uma operação realizada antes do amanhecer na manhã desta segunda-feira, sob suspeitas de participação em atos violentos, violação de uma ordem de zona militar e construção ilegal. As identidades dos detidos não foram divulgadas, mas a Rádio do Exército de Israel confirmou que eles são cidadãos israelenses. Após a prisão, os suspeitos foram encaminhados para interrogatório pelas autoridades israelenses.
A ação policial ocorreu no contexto de uma escalada de violência na Cisjordânia, região onde tensões entre colonos israelenses e residentes palestinos frequentemente resultam em confrontos. O episódio que mais chamou atenção foi o ataque à jornalista Heidi Levine, do Washington Post, ocorrido na última sexta-feira, 16 de outubro, na área de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah. Imagens fornecidas pela Agência France-Presse (AFP) mostram que ela sofreu ferimentos em uma perna e em um braço, após ser atacada por um grupo de cerca de 80 colonos.
Levine relatou que foi surpreendida por aproximadamente 50 homens mascarados, carregando bastões de madeira e possivelmente barras de ferro, que a empurraram ao chão e a agrediram. Ela estava usando colete à prova de balas e capacete na ocasião, o que, segundo ela, foi crucial para sua sobrevivência, uma vez que os agressores não pararam de chutá-la. Após o ataque, a fotojornalista foi socorrida por colegas e levada a um hospital em Ramallah, onde passou por cirurgia em um dedo. Testemunhas afirmam que o grupo de colonos também utilizou botijões de gás para incendiar oliveiras, enquanto atiravam pedras contra moradores palestinos que estavam na região colhendo azeitonas maduras.
Na ocasião, além de Levine, outra pessoa ficou ferida. Os ataques ocorreram em um momento de crescente tensão na região, com relatos de que os colonos vestiam roupas pretas e tinham os rostos mascarados, além de utilizarem armas improvisadas para atacar os civis palestinos. Os ferimentos da jornalista foram registrados em imagens e ela foi transferida para um hospital israelense próximo a Tel-Aviv, onde passou por uma cirurgia em um dedo.
No sábado, 17 de outubro, outros episódios de violência ocorreram na mesma região, envolvendo diplomatas de França, Bélgica e Polônia, além de um prefeito francês, que também foram atacados por colonos mascarados. Um veículo diplomático belga foi danificado durante esses incidentes. As Forças de Defesa de Israel e o Ministério das Relações Exteriores atribuíram a responsabilidade pelos ataques aos diplomatas a “manifestantes israelenses”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que os diplomatas ingressaram em uma “área sensível com histórico de confrontos” sem a devida coordenação com as forças de segurança, o que teria contribuído para os episódios de violência.
Esses eventos representam um agravamento na crise de segurança na Cisjordânia, região de alta tensão devido às disputas entre colonos israelenses e a população palestina. As ações de repressão às manifestações e ataques, assim como as respostas internacionais, continuam a ser temas de preocupação na política regional, com o governo israelense enfrentando críticas por sua gestão da violência e pela escalada de confrontos na área.







