Pesquisadores descobriram que o uso de fones de ouvido com tecnologia de cancelamento de ruído durante procedimentos cirúrgicos pode diminuir significativamente a ocorrência de náuseas e vômitos após a operação. O estudo, realizado com 192 mulheres submetidas a cirurgias ginecológicas sob anestesia geral, revelou que aquelas que utilizaram os dispositivos durante o procedimento apresentaram uma redução de 32% na incidência desses efeitos colaterais em comparação às que não usaram os fones.
A pesquisa foi apresentada no congresso anual da Sociedade Americana de Anestesiologistas (ASA), realizado de 16 a 20 de outubro de 2026, em San Diego, Califórnia. Os resultados indicam que, mesmo com a anestesia e medicações padrão para prevenção de náuseas, o fator ambiental, especificamente o ruído na sala cirúrgica, pode contribuir para o mal-estar pós-operatório. Metade das participantes utilizou os fones desde o início da anestesia até o término do procedimento, enquanto a outra metade não fez uso desses dispositivos. Todas receberam a mesma medicação preventiva, garantindo a uniformidade na análise dos efeitos.
Nas primeiras 24 horas após a cirurgia, as mulheres que usaram os fones apresentaram uma incidência menor de náusea e vômito, sem aumento de efeitos adversos nesse grupo. Já no período de 48 horas, a diferença se manteve, com 52,1% das pacientes que não usaram os fones apresentando esses sintomas, contra 35,4% naquelas que utilizaram os dispositivos com cancelamento de ruído. Essa redução de aproximadamente um terço na ocorrência de náuseas e vômitos sugere que a minimização do ruído na sala de cirurgia pode ser uma estratégia eficaz para melhorar o conforto pós-operatório.
De acordo com Huayue Liu, principal autor do estudo e anestesiologista do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Soochow, na China, esses resultados indicam que reduzir o ruído durante o procedimento pode oferecer aos anestesiologistas uma ferramenta adicional para prevenir náuseas e vômitos após a cirurgia, sem a necessidade de administrar medicamentos extras. Liu destacou que, embora o nível de ruído na sala de cirurgia tenha atingido uma média de aproximadamente 66 decibéis — equivalente ao som de uma conversa normal ou de um aspirador de pó —, os pacientes sob anestesia geral não têm consciência do som, mas seus corpos podem processar estímulos sonoros de maneiras ainda não totalmente compreendidas.
O estudo levanta questões sobre a influência do ambiente cirúrgico no bem-estar do paciente, mesmo na ausência de percepção consciente. Segundo Liu, a possibilidade de que o cérebro continue a processar sons durante a anestesia sugere a necessidade de futuras investigações para compreender melhor como o ruído afeta o organismo nesse contexto. Além disso, os pesquisadores recomendam que estudos futuros meçam com maior precisão a quantidade de ruído a que os pacientes estão expostos durante procedimentos cirúrgicos e como essa exposição pode influenciar reações fisiológicas, incluindo náuseas e vômitos.
Essas descobertas reforçam a importância de criar ambientes cirúrgicos mais controlados, considerando fatores ambientais que possam impactar o pós-operatório. A adoção de medidas simples, como o uso de fones com cancelamento de ruído, pode representar uma estratégia acessível e não invasiva para melhorar a experiência do paciente após a cirurgia, contribuindo para uma recuperação mais confortável e eficiente.







