Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, o debate da TV Globo, marcado para esta semana, é considerado um momento decisivo para as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, que avaliam suas estratégias diante do formato diferenciado do evento. As equipes de ambos os candidatos concordam que, até o momento, os debates realizados até aqui não tiveram grande impacto na mudança de intenções de voto, uma vez que prevalece um cenário de polarização e alta fidelidade dos eleitores às suas opções atuais.
O debate da Globo apresenta uma estrutura diferente do realizado pela TV Bandeirantes, com três blocos temáticos e espaço para perguntas entre os candidatos, o que deve estimular uma abordagem mais propositiva. No entanto, há a expectativa de que ataques e fugas do tema proposto possam prevalecer, refletindo o estilo de campanha já adotado por ambos os lados. O primeiro bloco abordará as cinco regiões do Brasil, sorteadas aleatoriamente, com cada candidato formulando perguntas sobre as regiões ao adversário. O segundo será dedicado à discussão de seis temas escolhidos por cada candidato dentre dez previamente apresentados pela produção, exibidos em um telão. O terceiro e último bloco terá tema livre, com considerações finais dos candidatos.
Este debate, considerado o mais importante até o momento da eleição, ocorre em um momento de acirramento da disputa, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente nas pesquisas de intenção de voto, embora em um cenário de empate técnico na maioria dos levantamentos e agregadores de dados. Segundo a última pesquisa do índice CNN, atualizada até 18 de outubro, Flávio registra 47% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 46%. Apesar do alto grau de fidelidade do eleitorado e da estreiteza das margens, a decisão dos indecisos será crucial para o resultado final, tornando o debate uma oportunidade para ambas as campanhas reforçarem seus pontos fortes e explorar eventuais fragilidades do adversário.
No que diz respeito às estratégias específicas, Flávio Bolsonaro pretende manter a postura adotada na TV Bandeirantes, posicionando-se atrás do presidente Jair Bolsonaro durante o debate, no mesmo enquadramento da câmera. Essa tática, inspirada na estratégia de Donald Trump em 2016 no debate contra Hillary Clinton, visa desconcentrar o adversário, além de permitir que o candidato apareça ao fundo das imagens com gestos que possam indicar reprovação às respostas do oponente, além de dificultar cortes para redes sociais. Contudo, há riscos associados: o uso excessivo dessa postura pode ser interpretado como arrogância ou desrespeito, o que pode prejudicar a percepção do público.
Por sua vez, Lula anunciou que voltará a desafiar Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos bancário e telefônico, incluindo informações de familiares e empresas, como fez no debate da TV Bandeirantes. Nesta semana, Lula reiterou a intenção de divulgar suas próprias informações bancárias e telefônicas, além das de sua família, e solicitou que Flávio também faça o mesmo. A proposta é que ambos entreguem suas informações ao público de forma conjunta, reforçando a transparência e a comparação direta entre as candidaturas nesta fase final da campanha.
Este momento, marcado por uma disputa acirrada, evidencia a importância do debate na definição do voto, com estratégias que visam explorar pontos fortes e fracos de cada candidato, numa tentativa de influenciar os indecisos e consolidar o apoio dos seus eleitores.








