Uma labradora de seis anos, chamada Sgiath, que vive nas Terras Altas da Escócia, foi premiada como Animal do Ano pela organização sem fins lucrativos International Fund for Animal Welfare (IFAW), em reconhecimento à sua habilidade de identificar uma espécie invasora marinha por meio do olfato. Este reconhecimento destaca o papel de um cão treinado para detectar o “vômito do mar”, termo popular para a ascídia-tapete (Didemnum vexillum), uma espécie que ameaça ecossistemas marinhos na costa da Grã-Bretanha, Irlanda e outros locais europeus.
A ascídia-tapete, originária do Japão, chegou às águas europeias por meio de navios de carga no início dos anos 2000. Sua proliferação tem causado sérios problemas ambientais e econômicos, pois forma colônias que podem sufocar espécies nativas, além de colonizar infraestruturas como fazendas de ostras e áreas de pesca. Essas massas de organismos, muitas vezes confundidas com lodo devido à sua aparência, crescem em marés baixas e podem se expandir rapidamente, impedindo a entrada de luz e sufocando a vida marinha subjacente. Com o aumento das temperaturas oceânicas devido ao aquecimento global, a reprodução da ascídia tende a intensificar-se, agravando o problema.
A inovação no combate à invasão veio com o treinamento de Sgiath, inicialmente como cão de resgate em montanhas. Sua treinadora, a ecologista marinha Texa Sim, residente nos arredores de Glencoe, na Escócia, percebeu seu potencial para tarefas além do resgate. Motivada por seu desempenho excepcional, Texa iniciou um programa de treinamento específico para que a cadela pudesse identificar a ascídia-tapete pelo cheiro. Segundo Texa, a inteligência de Sgiath é notável, com uma capacidade de aprender e resolver problemas de forma rápida e eficiente, o que a torna uma ferramenta valiosa na conservação marinha.
A habilidade de Sgiath em farejar a espécie invasora foi avaliada como revolucionária, pois, apesar de cães possuírem mais de 220 milhões de receptores olfativos no nariz — comparados aos aproximadamente cinco milhões de humanos —, sua aplicação na água, especialmente em maré baixa, representa uma inovação significativa. Essa capacidade permite uma identificação rápida e precisa, facilitando ações de remoção e controle da ascídia, o que é fundamental para evitar sua proliferação descontrolada.
O reconhecimento de Sgiath pelo IFAW reforça a importância de estratégias inovadoras na preservação ambiental. A ascídia-tapete, que apresenta uma aparência de massa amarelada ou alaranjada, na verdade é uma colônia de pequenos organismos que se unem, dificultando sua identificação visual. A detecção por métodos tradicionais envolve análise laboratorial de amostras, incluindo testes de DNA, o que demanda tempo e recursos consideráveis. A atuação de um cão treinado para farejar a espécie, portanto, representa uma avanço importante na gestão de espécies invasoras, contribuindo para a proteção dos ecossistemas marinhos na região.









