Nesta terça-feira (20), o mercado financeiro brasileiro apresentou sinais de otimismo, com o Ibovespa atingindo sua máxima diária próxima de 209 mil pontos, impulsionado por expectativas de uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. O índice de referência do mercado acionário brasileiro fechou em alta de 1,57%, aos 208.295,98 pontos, após atingir uma máxima de 208.941,57 pontos e uma mínima de 205.082,26 pontos durante o pregão. O volume financeiro negociado na B3 chegou a R$ 42,5 bilhões, refletindo o fluxo de investimentos estrangeiros e a expectativa de estabilidade ou melhora no cenário fiscal do país.
O comportamento positivo do mercado foi atribuído ao clima de “trade eleitoral”, termo que descreve a movimentação de investidores em função das incertezas e expectativas relacionadas às eleições. Segundo Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, apesar das pesquisas ainda indicarem uma disputa acirrada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, o cenário favorece o candidato do PL, que mantém uma vantagem numérica nas intenções de voto no segundo turno. Uma pesquisa divulgada nesta terça pelo instituto Real Time Big Data revelou que Flávio possui 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, consolidando a vantagem do parlamentar.
A expectativa de uma possível mudança no quadro político também tem refletido positivamente na B3, com ações reagindo de forma favorável à possibilidade de uma troca na administração federal. O otimismo do mercado é reforçado pela entrada de capital externo, que até o dia 16 de outubro acumulou um saldo positivo de R$ 20,99 bilhões na bolsa brasileira, indicando confiança dos investidores estrangeiros na economia local.
Paralelamente, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,0182, marcando uma baixa de 8,58% no acumulado do ano. Essa valorização do real foi influenciada tanto pelo recuo da moeda norte-americana no cenário internacional, com o dólar operando em baixa contra várias divisas de países emergentes e principais moedas globais, quanto pelo cenário eleitoral doméstico. O dólar futuro para novembro, o contrato mais negociado na B3, também cedeu 0,50%, fechando a R$ 5,0280 às 17h02.
O movimento de queda do dólar foi reforçado por uma leitura de mercado de que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, há uma maior probabilidade de controle mais rígido das contas públicas, embora seus porta-vozes ainda não tenham apresentado propostas concretas de ajuste fiscal. Apesar disso, Flávio anunciou a intenção de restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), caso seja vitorioso, prometendo ações voltadas para os setores de eventos, shows e turismo, que foram beneficiados durante a pandemia de Covid-19, mas tiveram elevado impacto fiscal.
Especialistas destacam que, embora as propostas de ajuste fiscal ainda não estejam claras, o mercado reagiu de forma otimista após o primeiro turno, refletindo a expectativa de estabilidade ou melhorias na gestão econômica do país. Além disso, novas pesquisas eleitorais estão previstas para quarta e quinta-feira, com a Quaest e o Datafolha, respectivamente, o que deve manter a volatilidade nas próximas sessões.
O cenário atual indica uma combinação de fatores que favorecem o mercado de ações e o real, incluindo o aumento de investimentos estrangeiros e a percepção de que uma vitória de Flávio Bolsonaro pode trazer maior controle fiscal, mesmo que ainda haja incertezas quanto às políticas concretas que serão implementadas.









