Duas influenciadoras brasileiras, Malévola Alves e Bruna Mercatelli, tiveram suas viagens ao Egito interrompidas por uma prisão decretada pelas autoridades de Alexandria, após a circulação de vídeos considerados inadequados sob a legislação local. A detenção ocorreu na última semana, entre os dias 20 e 21 de outubro, e gerou um impasse diplomático que mobilizou a Embaixada do Brasil no Cairo e chamou a atenção da comunidade internacional.
Segundo informações do Ministério do Interior do Egito, a motivação para a prisão foi a divulgação de conteúdos digitais nos quais as jovens aparecem dançando, realizando gestos de conotação sexual e, segundo as autoridades egípcias, importunando pedestres nas ruas de Alexandria. As influenciadoras admitiram às autoridades que produziram os vídeos com o objetivo de aumentar suas visualizações e o engajamento em suas redes sociais. A divulgação dessas imagens, considerada imprópria pelas leis locais, levou à formalização do caso junto ao Ministério Público egípcio, que agora conduz as investigações.
Antes de terem seus canais de comunicação bloqueados pela polícia, Malévola Alves utilizou suas redes sociais para relatar os momentos de tensão durante a abordagem policial. Ela revelou que os agentes recolheram seus passaportes e a questionaram de forma invasiva, com foco na sua identidade de gênero, o que agravou a preocupação de organizações internacionais, dado o histórico de repressão e discriminação contra a comunidade LGBTQIA+ no Egito. A situação das mulheres trans no país é especialmente vulnerável, e esse episódio reforça o risco de violações de direitos durante o processo.
A defesa de Malévola, liderada pelo advogado Jonatha Carvalho Matos, informou que mantém contato constante com a Embaixada do Brasil no Cairo para assegurar a integridade física das brasileiras e garantir que seus direitos sejam respeitados durante o procedimento legal. O jurista destacou que está preparado para viajar a Alexandria a qualquer momento, caso seja necessário atuar pessoalmente na defesa das influenciadoras.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, confirmou que acompanha de perto o caso e está à disposição para fornecer assistência consular às brasileiras. Até o momento, Malévola Alves e Bruna Mercatelli continuam sob custódia das autoridades egípcias, sem que haja confirmação de concessão de liberdade provisória ou de uma eventual fiança. O desfecho do processo dependerá da análise final do Ministério Público de Alexandria, que avalia as infrações cometidas, enquanto a diplomacia brasileira busca assegurar um tratamento justo e seguro para as turistas brasileiras durante toda a tramitação do caso.








