A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) divulgou seu Painel de Solvência, que apresenta informações financeiras detalhadas de 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Entre esses, o Cruzeiro é um dos sete times da elite nacional que não apresentam atrasos em seus compromissos financeiros, conforme os dados mais recentes. Essa constatação reforça o esforço do clube mineiro em manter uma gestão financeira mais responsável, apesar de ainda registrar pendências em alguns setores.
O painel foi elaborado com base nas declarações prestadas pelas próprias equipes à ANRESF, que foi criada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com o objetivo de fiscalizar o cumprimento das normas de Fair Play Financeiro. Essas informações abrangem atrasos relacionados a salários de jogadores e funcionários, transferências e obrigações fiscais, além do montante total de dívidas de cada clube. Os dados utilizados na análise referem-se ao período até julho de 2025, última janela de envio de informações para a agência.
No caso do Cruzeiro, há registros de atrasos em salários de jogadores e funcionários, bem como em transferências de atletas. Contudo, esses atrasos estão dentro do que é permitido pelo Plano de Credores e pelo Plano de Recuperação Judicial do clube, processos que visam reorganizar suas finanças e regularizar suas obrigações. Nesse contexto, a responsabilidade pelo pagamento atualmente recai sobre a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), embora a antiga Associação ainda detenha obrigações relacionadas a dívidas anteriores. Importante destacar que, quanto às obrigações fiscais, o clube mineiro não apresenta atrasos, tendo declarado uma dívida total de aproximadamente R$ 1,28 bilhão em 2025.
Além do Cruzeiro, outros clubes da Série A também aparecem sem atrasos de pagamento no Campeonato Brasileiro, como Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino. No entanto, esses times não possuem atualmente planos de recuperação judicial ou de credores, diferentemente do Cruzeiro, que ainda está sob esses procedimentos. Por outro lado, clubes tradicionais como Atlético, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional e Vitória apresentam atrasos em todas as categorias analisadas, refletindo dificuldades financeiras que, juntas, elevam a dívida total dos 40 clubes monitorados para cerca de R$ 20 bilhões.
A criação da ANRESF ocorreu entre 2025 e 2026, como parte de uma iniciativa da CBF para fortalecer a responsabilidade financeira no futebol brasileiro. Essa medida faz parte do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), que busca estabelecer regras claras para o controle das contas dos clubes, incentivar uma gestão mais transparente e promover o equilíbrio entre receitas e despesas. O objetivo é enfrentar um problema de longa data no futebol nacional: a dificuldade de clubes em equilibrar investimentos esportivos com sua capacidade financeira, muitas vezes resultando em acúmulo de dívidas e atrasos nos pagamentos.
A agência foi oficialmente anunciada em novembro de 2025 e instalada em fevereiro de 2026, momento em que seus diretores assumiram suas funções e iniciaram a implementação do sistema. Com autonomia técnica e decisória, a ANRESF possui mecanismos de fiscalização que incluem o monitoramento do cumprimento de pagamentos em dia, controle do endividamento, gestão de custos de elencos e análise de receitas. Dessa forma, a iniciativa visa aproximar o futebol brasileiro de modelos internacionais de Fair Play Financeiro, promovendo uma gestão mais responsável e sustentável dos recursos, além de fortalecer a competitividade do esporte no país.






