O conflito entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acerca da abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos avançou para uma nova fase nesta semana. Depois de estabelecer condições para divulgar seus dados, o senador Flávio Bolsonaro anunciou que sua campanha aceitará as exigências feitas pelo adversário e enviará uma resposta formal ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11 horas desta quinta-feira, dia 22 de novembro.
Flávio Bolsonaro propôs a abertura de seus sigilos referentes aos últimos 20 anos, condicionando sua divulgação à ampliação das informações sobre familiares, assessores e empresas relacionadas a ele. Em contrapartida, Lula havia sugerido a divulgação de seus dados dos últimos oito anos, incluindo informações sobre seus familiares, condicionando a liberação a uma reciprocidade semelhante por parte do senador.
Segundo o senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, todas as exigências feitas por Flávio representam uma tentativa de manobra. Santana afirmou que o presidente Lula não se opõe a nenhuma das condições apresentadas, reforçando que as propostas do adversário deveriam ser cumpridas por ele também. Até o momento, nenhuma das partes teve seus sigilos efetivamente abertos, uma vez que a divulgação de dados de terceiros depende de autorização dos envolvidos ou de decisão judicial específica.
Entre as novas condições apresentadas por Flávio Bolsonaro estão a inclusão de sigilos de figuras como Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, além de informações financeiras de empresas ligadas aos filhos do presidente, ao Instituto Lula e à empresa de palestras do próprio Lula. O senador também solicitou a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, agendas da primeira-dama Janja da Silva, registros de viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira, além de detalhes sobre a reunião de Lula com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ocorrida em dezembro de 2024, e registros de visitantes do Palácio do Planalto.
A defesa de Flávio Bolsonaro argumentou que a proposta inicial de Lula seria uma “promessa vazia”, alegando que a divulgação apenas das contas pessoais do presidente não seria suficiente para esclarecer suspeitas envolvendo pessoas próximas a ele. Além disso, Flávio solicitou ao TSE que intime Lula a aceitar as novas condições, o que foi feito na manifestação enviada ao tribunal.
Apesar de afirmar que aceita as condições, a campanha de Lula questionou a exclusão da Alcazar Holdings da lista de informações a serem divulgadas. A empresa, pertencente ao advogado Willer Tomaz — amigo de Flávio Bolsonaro —, aparece em investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio foi identificado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, embora a defesa do senador negue qualquer ligação societária ou administrativa com a empresa, alegando que não possui como autorizar a divulgação de seus dados.
A disputa pela abertura de sigilos teve início durante o debate realizado no último domingo, 18 de novembro, quando Lula desafiou Flávio a divulgar suas informações bancárias e fiscais, assim como as de seus familiares. Na terça-feira, 20, Lula formalizou sua proposta ao TSE, incluindo também pedidos de divulgação de dados de Jair Bolsonaro, irmãos de Flávio e empresas relacionadas ao candidato do PL. Em resposta, Flávio Bolsonaro ampliou suas exigências, incluindo pessoas e registros que não estavam na proposta inicial.
Na quarta-feira, 21, durante ato de campanha em Belo Horizonte, Lula criticou a resposta de Flávio e anunciou que apresentaria uma nova manifestação ao tribunal. “Essa semana eu pedi para o Flávio abrir sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou seis. Eu vou meter um nove na cara dele amanhã”, afirmou o presidente, demonstrando a continuidade do embate na esfera judicial e eleitoral.





