Pesquisadores da Universidade de Copenhague descobriram que a combinação de música e alimentação pode influenciar significativamente a percepção do sabor, ampliando o prazer na hora de comer. A investigação, publicada em junho na revista Scientific Reports, demonstra que o sabor dos alimentos não é determinado apenas pelas papilas gustativas, mas também por reações cerebrais que podem ser estimuladas por estímulos sonoros, como a música.
A pesquisa mostrou que ouvir diferentes estilos musicais durante as refeições pode atuar como um “tempero sonoro”, melhorando a experiência sensorial e facilitando o consumo de alimentos considerados menos apreciados, como vegetais. Segundo Alberte Baggesgaard Seeberg, pós-doutoranda do Departamento de Ciência dos Alimentos da universidade, a presença de música durante a alimentação intensifica a resposta cerebral em comparação à degustação em silêncio. Ela explica que, ao mesmo tempo em que o indivíduo experimenta o sabor, o cérebro responde com maior ativação, reforçando a percepção gustativa.
Para compreender esses efeitos, a equipe realizou exames de ressonância magnética funcional (RMf) com 28 participantes, permitindo observar as áreas cerebrais ativadas durante as experiências sensoriais. Os voluntários foram posicionados na máquina de ressonância enquanto eram expostos a diferentes estímulos: apenas música, sabores variados — doce, amargo, azedo e salgado — ou a combinação de ambos. Os resultados indicaram que, na combinação de sabores e música, certas regiões do cérebro apresentaram maior fluxo sanguíneo, sinalizando maior atividade neural.
Janice Wang, professora da mesma universidade e autora principal do estudo, destacou que o sabor é uma construção cerebral, resultado da integração de múltiplos sentidos, e não apenas uma sensação localizada na língua. “O que determina o sabor não se limita ao que acontece na língua, mas surge da interação entre diferentes estímulos sensoriais”, afirmou Wang.
A relevância prática do estudo reside na possibilidade de melhorar a experiência alimentar de populações que enfrentam dificuldades na ingestão de alimentos saudáveis, como verduras e legumes, muitas vezes rejeitados por seu sabor. Alberte Baggesgaard Seeberg reforça que estratégias simples, como o uso de música, podem incentivar uma alimentação mais saudável, especialmente em grupos em risco de desnutrição, a um custo relativamente baixo.
Embora o estudo tenha sido conduzido com sabores artificiais, os pesquisadores acreditam que os efeitos observados podem se aplicar a alimentos naturais, sugerindo ainda que fatores como idade e origem cultural possam influenciar a relação entre música e percepção do sabor. Janice Wang conclui que essa descoberta abre novas possibilidades para aprimorar a experiência gastronômica, promovendo maior prazer na alimentação sem necessidade de alterar o próprio alimento.








