O velório de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, ocorrido na tarde desta sexta-feira (23/10) no Cemitério Municipal de Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi limitado a apenas 30 minutos. A restrição na cerimônia foi motivada pelo estado avançado de decomposição do corpo da vítima, que foi encontrado com sinais de intoxicação por soda cáustica, quantidade considerada excessiva pelos familiares. A família explicou que, devido ao uso de grande quantidade de soda cáustica pelos suspeitos do crime, não foi possível realizar procedimentos de tanatopraxia, que envolvem higienização, desinfecção, conservação temporária e restauração estética do corpo após a morte, o que também contribuiu para a redução do tempo de despedida.
O corpo de Beatriz Vitória foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) na quinta-feira (22/10), após passar por perícia. O velório está marcado para as 16h30 e foi realizado com a presença de familiares e amigos, que lamentaram a perda e a violência do crime. A polícia civil de Minas Gerais (PCMG) está conduzindo as investigações para esclarecer as motivações e as circunstâncias que levaram à morte da jovem.
Suspeitos e investigação
Samuel Castro Melo, de 18 anos, ex-namorado de Beatriz, e Carla Luíza da Silva, de 23 anos, atual namorada dele, foram presos sob suspeita de envolvimento no homicídio. Além deles, uma adolescente de 15 anos, que indicou o local onde o corpo de Beatriz foi enterrado, também está sob investigação. A investigação começou no dia 9 de outubro, após amigos e familiares denunciarem o desaparecimento de Beatriz, que estava em um bar com amigos quando recebeu uma ligação de um número desconhecido. Pelo diálogo, identificaram-se Samuel como o interlocutor.
Após a ligação, Beatriz deslocou-se a uma rua de terra próxima ao local, mas retornou ao perceber a presença de alguém desconhecido no carro. Antes de desaparecer, ela pediu que amigos fossem procurá-la caso não retornasse em cinco minutos. Ela entrou em um veículo, mas não voltou mais a ser vista. Seus amigos, preocupados, acionaram familiares e a polícia.
A partir das imagens de câmeras de segurança, a polícia identificou um Volkswagen Up, pertencente ao pai de Samuel, circulando nas proximidades do bar. Dentro do carro estavam Samuel, Carla e a adolescente de 15 anos, que se tornou peça-chave na localização do corpo. Os investigadores foram até o pai da menor, que inicialmente relutou, mas acabou colaborando após ser informado da gravidade do caso. A adolescente confirmou que esteve no carro e revelou o local onde viu Beatriz pela última vez. Segundo ela, Samuel e Carla levaram a vítima para uma área de mata, retornando sem ela pouco tempo depois.
A busca na região indicada pela adolescente levou à descoberta do corpo de Beatriz, enterrado em uma cova de profundidade média. Os peritos encontraram sinais de que ela foi morta a tijoladas, além de estar com as mãos e pés amarrados, coberta por soda cáustica, o que acelerou sua decomposição. Próximo ao local, foram encontrados os chinelos e a capa de celular da vítima. A presença de moscas e terra remexida indicava que o corpo havia sido enterrado recentemente.
A polícia acredita que o crime foi premeditado, pois a cova foi preparada previamente, e o uso de soda cáustica sugere intenção de acelerar a decomposição e dificultar a identificação. As desavenças entre Beatriz e Carla, que teriam começado após um desentendimento durante uma exposição na cidade e uma briga em um bar, são apontadas como possíveis motivações do homicídio. A análise dos celulares apreendidos deve esclarecer os conflitos prévios e a relação entre os envolvidos.
Investigações adicionais apontam que Samuel, de 18 anos, costumava procurar Beatriz após desentendimentos com Carla, o que levanta a hipótese de que a rivalidade entre as mulheres possa ter contribuído para o crime. Uma possível gravidez de Beatriz, de aproximadamente três meses, também está sendo investigada, uma vez que o atual namorado da vítima, Yuri Gabriel Guedes Lopes, de 18 anos, relatou essa informação, que ainda aguarda confirmação por exames periciais.
Samuel confessou, em depoimento, que participou da captura de Beatriz, mas negou sua autoria no homicídio, atribuindo-a à adolescente. Carla permaneceu em silêncio durante o interrogatório. A adolescente confirmou que esteve no carro e que só percebeu o que havia acontecido quando Samuel e Carla retornaram sem a vítima. Ela foi liberada após prestar depoimento.
Mensagens apreendidas nos celulares indicam que o grupo planejava tatuar um símbolo relacionado a um “deus da morte” em celebração ao crime, evidenciando a gravidade e a premeditação do ato. A polícia civil classifica o caso como feminicídio, e as investigações continuam para determinar a participação de outros possíveis envolvidos, esclarecer detalhes do crime e verificar se houve outros delitos relacionados.








