Durante o período de arrecadação de campanha, iniciado em agosto e abrangendo o primeiro e o segundo turnos, os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam diferenças marcantes na origem e no volume de recursos destinados às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). Lula recebeu uma quantia significativamente maior de fundos públicos, enquanto Flávio lidera em doações privadas, indicando diferentes estratégias de captação de recursos por parte dos dois candidatos.
No que diz respeito aos fundos públicos, a campanha de Lula arrecadou R$ 123,78 milhões do Fundo Eleitoral, além de R$ 150 mil do Fundo Partidário, totalizando aproximadamente R$ 123,93 milhões. Em contrapartida, a campanha de Flávio Bolsonaro recebeu R$ 47 milhões do Fundo Eleitoral e R$ 13,65 milhões do Fundo Partidário, somando cerca de R$ 60,65 milhões. Assim, o valor destinado ao petista por esses fundos públicos é mais de duas vezes maior do que o recebido pelo senador, evidenciando um respaldo financeiro mais robusto do Estado à candidatura de Lula.
Na arrecadação por recursos privados, a diferença é ainda mais expressiva. Lula declarou ter arrecadado aproximadamente R$ 2,98 milhões desde o início da campanha, valor que, embora significativo, é 13 vezes menor do que o arrecadado por Flávio Bolsonaro, que soma R$ 38,9 milhões. Esses números refletem a maior dependência de recursos privados na campanha do senador, que conseguiu captar uma quantia consideravelmente superior à de Lula nesse segmento, principalmente por meio de doações de pessoas físicas e transferências partidárias de origem privada.
Os dados considerados incluem todas as receitas declaradas desde agosto, incluindo o período de campanha no primeiro e no segundo turno, até a consulta realizada pelo sistema do TSE nesta quinta-feira, 22 de outubro. No segundo turno, que se encerra no próximo domingo, dia 25 de outubro, a disparidade permanece evidente. De 5 a 20 de outubro, Flávio Bolsonaro registrou R$ 30,56 milhões em receitas privadas, enquanto Lula declarou apenas R$ 795,3 mil no mesmo período.
No que tange às contribuições específicas, Flávio recebeu doações de nomes como Elói Vitório Marchett, com R$ 2 milhões; Wilson Francisco Rotta, com R$ 1,8 milhão; e Nelson José Vigolo, com R$ 1,1 milhão. Essas doações foram registradas a partir de 5 de outubro e representam uma parcela significativa do total arrecadado pelo senador. Já na campanha de Lula, as contribuições privadas incluem R$ 678,9 mil repassados pela plataforma de financiamento coletivo utilizada por sua equipe e R$ 116,3 mil de doações identificadas por CPF. Entre os doadores individuais do presidente, destacam-se o ex-ministro Guido Mantega, com R$ 20 mil, e Inês da Silva Magalhães, com R$ 10 mil.
Apesar do destaque para as doações privadas, os recursos totais de financiamento eleitoral levam em consideração também os fundos públicos e recursos estimáveis em bens e serviços cedidos às campanhas. Nesse aspecto, Lula declarou R$ 127,2 milhões em receitas totais, enquanto Flávio apresentou aproximadamente R$ 105,8 milhões. Esses valores refletem a soma de todas as fontes de financiamento, incluindo doações, recursos públicos e bens fornecidos às candidaturas, e podem sofrer alterações conforme novas declarações ou retificações das campanhas forem feitas ao sistema do TSE.







