O senador eleito por Minas Gerais, Domingos Sávio (PL), contestou o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e afirmou que a decisão provocou no país a sensação de que “o Brasil inteiro foi roubado”. Em um vídeo publicado nas redes sociais na noite deste domingo (25), o parlamentar acusou o Judiciário de interferir no processo eleitoral, mas pediu serenidade aos apoiadores e rejeitou a adoção de atos violentos.
“A sensação que a gente tem é que o Brasil inteiro foi roubado. (…) Mas aceitar a injustiça não. O que eu peço a vocês é que tenham serenidade. Não vamos, de maneira alguma, deixar que isso nos faça igual a eles e partir para a violência”, declarou Domingos Sávio.
Na manifestação, o senador mineiro classificou como “absurda e ilegal” a decisão da Suprema Corte de intervir no processo eleitoral. Ele também afirmou que o resultado das urnas prejudicará principalmente a população de baixa renda e os eleitores do Nordeste. Apesar das críticas ao processo e do tom de indignação, Domingos Sávio encerrou a mensagem com um apelo para que seus eleitores mantivessem a fé em Deus e os princípios cristãos durante a resistência política.
Aliados de Bolsonaro também contestam o resultado
A posição do senador eleito acompanha a reação de integrantes do grupo político derrotado nas urnas. Na noite deste domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que não reconhece o resultado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo os números oficiais mencionados na matéria, Lula obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que pretende recorrer à Justiça para solicitar a anulação do pleito. O principal argumento apresentado pela campanha bolsonarista está relacionado à decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até as 19h o horário de votação em locais onde havia filas. A medida foi tomada após o PT acionar a Justiça com alegações de problemas no transporte público do Nordeste.
“Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada e muda a regra do jogo. É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Parlamentares do PL reforçam críticas à votação
Outros nomes de destaque do Partido Liberal também questionaram a legitimidade do resultado. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que houve uma quebra de “marcadores históricos” da política nacional, citando, entre outros pontos, a apuração em Minas Gerais. Para ele, Lula teria conseguido superar esses indicadores após a decisão atribuída ao ministro Cristiano Zanin, que foi advogado do petista.
Já Lucas Pavanato (PL-SP), deputado federal eleito, classificou a eleição como “ilegal” e defendeu a abertura de um processo de impeachment contra Zanin. O parlamentar argumentou que as regras não poderiam ser alteradas depois do início da votação e questionou o que chamou de número “bizarro” de reversões.
O TSE confirmou a reeleição de Lula às 21h10. O resultado representou uma virada em relação ao primeiro turno, quando o candidato do PL havia terminado à frente. Na apuração final, o petista foi reeleito com 51% dos votos válidos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro ficou com 48,21%, conforme os dados apresentados na matéria.









