O deputado André Janones (Rede-MG) afirmou que pretende manter a atuação do chamado “Exército de Lula” durante o novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante uma celebração com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, na noite deste domingo (25), o parlamentar também declarou que trabalhará para que o governo alcance 90% de aprovação ao fim do segundo mandato.
Segundo Janones, a mobilização criada durante a campanha deverá continuar mesmo após a vitória eleitoral. O deputado destacou que a estrutura teve papel importante na disputa e defendeu que o próximo ministério esteja à altura da trajetória política e do reconhecimento atribuído a Lula.
“Lula terminou o segundo mandato com 87% de bom, e nós temos a missão para que o próximo ministério seja à altura do que esse homem merece e tem de reconhecimento mundial”, afirmou o parlamentar durante o discurso aos apoiadores.
Lula foi reeleito com 51,74% dos votos válidos, em uma virada no segundo turno descrita como a primeira desse tipo na história das eleições desde a redemocratização. Janones atribuiu o resultado à força política do presidente e à mobilização dos eleitores durante a etapa decisiva da campanha.
O deputado também afirmou que a campanha adversária teria subestimado a trajetória de Lula, especialmente por sua origem nordestina e por ter perdido no primeiro turno. “Falaram que nunca alguém que perdeu no primeiro turno poderia virar, mas esqueceram da força de um migrante nordestino. Esqueceram que do lado de cá estava o maior líder popular da história desse país: Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou.
Lula agradece participação feminina e cita Alckmin
Durante a celebração, Lula também discursou para o público reunido no trio elétrico. O presidente ressaltou a participação das mulheres na vitória eleitoral e agradeceu aos eleitores que contribuíram para o resultado.
“Essa vitória é para mostrar que as mulheres são parte importante”, afirmou. O petista também declarou ser o primeiro presidente eleito quatro vezes, classificando o feito como histórico. “Eu devo isso ao povo brasileiro, eu devo a vocês. Por isso quero agradecer a cada homem e cada mulher”, disse.
O presidente ainda destacou a atuação de Geraldo Alckmin, seu vice na chapa vitoriosa. “Eu queria dizer que o meu vice-presidente Geraldo Alckmin é o melhor vice que eu poderia ter na vida”, afirmou diante da militância.
Ao falar sobre os próximos passos, Lula indicou que retornaria imediatamente à agenda institucional em Brasília. “Eu vou embarcar para Brasília ainda hoje. Amanhã tenho muita coisa para fazer”, declarou.
Disputa foi marcada por mobilização e ataques
Com 97,69% das urnas apuradas, Lula havia registrado 62.641.973 votos. No primeiro turno, o resultado apontava 47,03% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Lula havia obtido 45,16%. A virada no segundo turno foi associada à mobilização dos eleitores, tanto nas ruas quanto nas redes, em uma disputa considerada a mais acirrada desde 1989.
Ao longo da campanha, os dois candidatos trocaram ataques em inserções e programas de rádio e televisão. Militantes de ambos os lados também organizaram atos públicos para ampliar a presença dos presidenciáveis e tentar consolidar a vitória no segundo turno.
No campo da esquerda, a mobilização teve como um dos principais articuladores André Janones. O deputado comandou o “Exército de Lula”, canal no WhatsApp que, segundo a matéria, ultrapassou 10 milhões de inscritos durante o segundo turno.
Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, o deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL) promoveu o “Bloquinho 22”. A iniciativa realizou ações em diferentes cidades do país com o objetivo de fortalecer a candidatura do PL.
A campanha também foi marcada por manifestações de rua de grandes proporções em apoio tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro. Nos debates presidenciais, as estratégias foram distintas. O encontro realizado pela Band teve confrontos diretos e discussões consideradas de baixo nível, enquanto o debate da Globo apresentou uma tentativa dos candidatos de adotar tom mais palatável, com foco nos eleitores indecisos.
Durante quase toda a campanha do segundo turno, as pesquisas de opinião apontaram uma disputa apertada. Em diversas rodadas, os candidatos apareceram em empate técnico, embora Flávio Bolsonaro tenha mantido vantagem numérica em grande parte das sondagens.









