O trabalhador Diego Fernando, de 40 anos, morreu após ficar preso em uma máquina usada para triturar gelo em uma empresa de alimentos no bairro Distrito Industrial, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros, ele teve uma das mãos presa no equipamento e, durante a tentativa de retirá-la, acabou sendo sugado, ficando com parte do corpo dentro do maquinário. A Polícia Civil vai investigar as circunstâncias do acidente e as condições de trabalho da vítima.
O acidente aconteceu na manhã de segunda-feira (26). Diego trabalhava como encarregado do setor de embalagens de uma empresa que fabrica alimentos, como frango e salsicha. De acordo com as informações repassadas, ele havia sido convocado para chegar mais cedo, por volta das 5h30, para substituir um funcionário do setor de resfriamento que não poderia comparecer ao trabalho.
Durante a atividade, a mão do trabalhador ficou presa na máquina de triturar gelo. Conforme os bombeiros, ao tentar se libertar, Diego foi puxado pelo equipamento e ficou com metade do corpo dentro da estrutura, que tinha grande profundidade.
Mesmo preso, o trabalhador permaneceu consciente por algum tempo e conversou com outros funcionários enquanto aguardava o resgate. Os militares foram acionados e iniciaram uma operação para cortar e desmontar partes da máquina, a fim de conseguir retirá-lo com segurança.
Durante o procedimento de resgate, Diego sofreu uma parada cardíaca. Após a retirada do corpo, os bombeiros realizaram manobras de ressuscitação, mas não conseguiram reverter o quadro. A vítima morreu ainda no local.
Mãe relata dor após receber a notícia
Maria de Fátima, mãe de Diego, contou que soube do acidente por meio do marido e correu para a empresa. Durante o trajeto de ônibus, ela afirmou ter tido um pressentimento sobre o filho.
“Dentro do ônibus eu vi ele nitidamente e ele falou comigo: ‘Mãe, tô indo’. Olhei para os lados e não tinha ninguém lá. Quando passaram dois minutos, minha filha me falou: ‘Mãe, Diego foi embora’. Éramos muito amigos, muito parceiros”, relatou.
Ao chegar à empresa, Maria disse que não foi autorizada a entrar para ver o filho. Segundo ela, uma médica contou que a equipe precisou desmontar a máquina para retirar Diego, que ficou preso por um longo período. A mãe também afirmou que ele sofreu uma parada cardíaca depois de ser retirado e que foram feitas tentativas de reanimação.
“Meu coração está despedaçado. Você receber a notícia de que um filho sai de casa com vida e com saúde para trabalhar e saber que ele se foi é muito triste. Saber que seu filho está preso em uma máquina, que uma máquina está engolindo seu filho, e que é preciso chamar bombeiros e Samu, mas não conseguir tirá-lo, é uma dor muito grande”, desabafou.
Maria afirmou ainda que a família já enfrentava um período de luto. Segundo ela, há cerca de 60 dias, perdeu a própria mãe. Menos de 30 dias depois, morreu uma tia que ajudou a criar os familiares. Ela também citou as mortes de um tio, em Uberlândia, e de um primo, em Uberaba.
“É o filho que tem que enterrar os pais, e não os pais enterrarem os filhos. Mas é a vontade de Deus, ele quis assim. Ele vai fazer muita falta aqui. Superar, a gente nunca vai superar. É uma perda muito grande”, afirmou.
Funcionários disseram que Diego era uma pessoa animada e costumava alegrar o ambiente de trabalho. Após o acidente, todos foram liberados pela empresa. A Polícia Civil deverá apurar o que provocou a queda no equipamento e se os procedimentos de segurança estavam sendo cumpridos no momento do acidente.








