O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou, nesta terça-feira (27/10), a Operação Luz e Sombra para investigar suspeitas de crimes contra a dignidade sexual atribuídos ao ex-presidente de uma comunidade espírita de Goiânia. Segundo o órgão, o investigado teria usado a posição de liderança religiosa para se aproximar de mulheres em situação de vulnerabilidade social e, possivelmente, submetê-las a condutas de natureza sexual.
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao investigado. Entre os locais está a sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, no Jardim Guanabara II, em Goiânia. A apuração tramita sob sigilo e ainda está em andamento.
Investigação apura possível troca de conteúdo sexual por benefícios
De acordo com o Ministério Público, há indícios de que o ex-dirigente teria se aproveitado da confiança depositada nele por mulheres atendidas pela instituição. Uma das suspeitas investigadas é a exigência de materiais de conteúdo sexual como condição para o fornecimento de cestas básicas.
O caso também envolve a possibilidade de divulgação não autorizada de imagens íntimas. Os investigadores apuram se fotografias e vídeos de uma das mulheres foram compartilhados com terceiros sem a autorização dela. Se confirmada, a conduta pode se enquadrar no crime previsto no artigo 218-C do Código Penal, que trata da divulgação de cena de sexo, nudez ou pornografia sem consentimento.
A investigação começou depois que uma integrante da comunidade apresentou uma notícia-crime ao MPGO. Entre as hipóteses analisadas pelas autoridades está a de possível violação sexual mediante fraude. A apuração busca esclarecer as circunstâncias dos fatos, identificar eventuais vítimas e verificar a participação do investigado nas condutas relatadas.
Outras possíveis vítimas são apuradas
As diligências realizadas pelo Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita), conforme o Ministério Público, indicaram que outras mulheres também podem ter passado por situações semelhantes. Até o momento, as suspeitas dependem da coleta e da análise de provas, e não houve conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do investigado.
Além das buscas e apreensões, a Justiça autorizou o acesso a dados telemáticos relacionados à investigação. Também foram impostas medidas cautelares ao ex-dirigente, incluindo a obrigação de comparecer mensalmente em juízo e a proibição de frequentar a sede da instituição religiosa.
A decisão judicial ainda impede que o investigado participe de atividades e eventos promovidos pela comunidade, mesmo quando realizados em outros locais. As medidas têm como objetivo preservar a apuração e evitar eventual contato com pessoas envolvidas no caso, conforme as determinações judiciais informadas na investigação.
Ex-presidente foi destituído em julho
O investigado deixou a presidência da entidade após ser destituído em uma assembleia extraordinária realizada em julho deste ano. Atualmente, a sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo está temporariamente fechada e sob nova administração.
O MPGO também recebeu informações de que o ex-dirigente estaria desenvolvendo atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de outro centro espírita. Essa possibilidade faz parte do contexto examinado pelos investigadores durante a Operação Luz e Sombra.
A força-tarefa responsável pela operação foi instituída pela Procuradoria-Geral de Justiça e reúne a 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, o Centro de Apoio Operacional Criminal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).
O Ministério Público orienta que possíveis vítimas ou pessoas que tenham informações relevantes procurem o Navita para receber orientação e comunicar os fatos. A investigação continua, e a responsabilidade criminal do ex-dirigente ainda deverá ser definida pelas autoridades competentes após a conclusão das apurações.






