A jogadora de vôlei Tifanny Abreu, do Osasco, afirmou nesta segunda-feira (2/11) que pretende continuar buscando seu retorno às quadras, em meio à disputa envolvendo a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A entidade adotou uma recomendação do Comitê Olímpico Internacional (COI) que impede a participação de mulheres trans em competições esportivas femininas. Com a medida, Tifanny ficou impossibilitada de atuar por sua equipe.
O posicionamento da atleta foi publicado após decisões judiciais relacionadas ao caso. Na manifestação, Tifanny agradeceu as mensagens de apoio que recebeu e compartilhou um trecho de O Diário de Anne Frank, escrito por Anne Frank em 1944: “Deixe-me ser eu mesma e então estarei satisfeita”.
Ao comentar a frase, a jogadora afirmou que o trecho representa o direito de cada pessoa de preservar sua identidade sem precisar abrir mão de quem é para ser aceita. Segundo Tifanny, embora as palavras tenham sido escritas há mais de oito décadas, elas continuam relacionadas a temas como liberdade, dignidade, respeito e resistência.
“Passando para agradecer todas as mensagens de apoio, carinho, força e amor. E quero aproveitar e deixar aqui um trechinho de um livro que tem falado muito comigo nesses dias….. ‘Deixe-me ser eu mesma e então estarei satisfeita.’ — Anne Frank, O Diário de Anne Frank (1944)”, escreveu.
Na sequência, Tifanny relacionou a reflexão ao momento que enfrenta no esporte. Para a jogadora, há situações em que simplesmente afirmar a própria identidade se transforma em um ato de coragem. Ela também declarou que sua identidade integra sua história, suas conquistas, seus sonhos e tudo o que construiu ao longo da trajetória.
“Nenhuma circunstância pode apagar minha essência ou diminuir o valor da minha trajetória. Existem batalhas que ultrapassam os limites de uma quadra. Batalhas silenciosas, dolorosas, mas que também revelam a força de quem se recusa a desistir de si”, afirmou.
No texto, a atleta reforçou que continua acreditando e resistindo, apesar das dificuldades. Tifanny também declarou que renunciar à própria identidade não é uma opção e encerrou a mensagem defendendo que, no futuro, ninguém precise lutar pelo direito de ser quem é.
Um dia antes, no domingo, Tifanny havia publicado outra mensagem em que afirmou que seu direito de existir jamais será apagado. As manifestações ocorreram durante a disputa judicial e institucional que interrompeu sua participação pelo Osasco.
CBV diz que seguirá decisões judiciais
Em 23 de outubro, a CBV divulgou uma nota após uma decisão da Justiça estadual do Rio de Janeiro suspender a sentença favorável à jogadora. A entidade reiterou que continuará cumprindo todas as determinações judiciais relacionadas ao processo.
Na mesma manifestação, a Confederação afirmou manter o compromisso de tratar todas as atletas com respeito e dignidade. A posição foi apresentada no contexto da aplicação da recomendação do COI que restringe a participação de mulheres trans em competições esportivas femininas.
Enquanto o caso permanece em disputa, Tifanny segue impedida de entrar em quadra pelo Osasco e sustenta publicamente a intenção de continuar tentando retornar à atividade esportiva.







