A Prefeitura de Belo Horizonte iniciou uma ação de vacinação nas escolas municipais da capital mineira para ampliar a proteção contra o sarampo, a caxumba, a rubéola e a varicela. As doses serão aplicadas em crianças somente mediante autorização dos pais ou responsáveis. A iniciativa ocorre diante do aumento da circulação do vírus do sarampo no Brasil e tem como objetivo evitar a reintrodução da doença no município, que não registra casos desde 2020.
Durante a ação, serão oferecidas doses da vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, além da vacina contra a varicela, conhecida popularmente como catapora. A Secretaria Municipal de Saúde também programou atividades lúdicas nas escolas. Atores do grupo de Mobilização Social da pasta vão conversar com as crianças e reforçar, de forma educativa, a importância da vacinação para a prevenção de doenças infecciosas.
Segundo a administração municipal, a cobertura vacinal infantil contra o sarampo em Belo Horizonte é de 99,45% para a primeira dose e de 86,54% para a segunda. Apesar do índice elevado na primeira etapa, a diferença em relação à segunda dose mantém a necessidade de intensificar a busca por crianças que ainda não completaram o esquema de imunização.
Em relação à varicela, Belo Horizonte registrou 118 casos em 2025. Em 2026, até setembro, foram contabilizados 102 casos. A cobertura da vacina contra a doença entre crianças menores de 1 ano está em 80,97%, de acordo com os dados divulgados pela Prefeitura.
Sarampo pode causar complicações graves
O sarampo é uma infecção viral grave e altamente contagiosa. A transmissão ocorre por meio da fala, da tosse ou do espirro. Embora seja frequentemente associado à infância, adolescentes, adultos e idosos também podem contrair a doença, principalmente quando não estão imunizados.
Os sintomas mais comuns incluem febre alta, acima de 38,5°C, tosse seca, irritação nos olhos, como conjuntivite, e manchas vermelhas na pele. As lesões geralmente começam no rosto e se espalham pelo corpo. Em casos mais graves, o sarampo pode evoluir para pneumonia, encefalite e até mesmo levar à morte, especialmente entre crianças pequenas e pessoas que não receberam a vacina.
O esquema da Tríplice Viral prevê duas doses para pessoas de até 29 anos que não tenham comprovante de vacinação. Para adultos de 30 a 59 anos sem registro de imunização, é indicada uma dose. Profissionais de saúde devem receber duas doses, independentemente da idade.
Vacina contra varicela também será aplicada
A varicela é uma doença infecciosa aguda e altamente contagiosa. O vírus pode ser transmitido pelo ar, por gotículas respiratórias ou aerossóis, e também pelo contato direto com pessoas infectadas. Os sintomas incluem manchas vermelhas e bolhas pelo corpo, mal-estar, cansaço e febre baixa.
Embora possa atingir diferentes faixas etárias, a doença apresenta riscos significativamente maiores para adultos, gestantes, recém-nascidos e pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes que vivem com HIV ou passam por tratamento oncológico. Para as crianças, o esquema de vacinação contra a varicela é composto por duas doses: a primeira aos 15 meses de idade e o reforço aos quatro anos.
Além da ação nas escolas, as vacinas estão disponíveis para a população em geral nos 154 Centros de Saúde de Belo Horizonte, em postos extras e no Serviço de Atenção à Saúde do Viajante. Para vacinar crianças, é necessária a presença dos pais ou responsáveis legais, que também devem levar a caderneta de vacinação.
Aumento de casos preocupa autoridades
O alerta em relação ao sarampo ocorre após a confirmação de 52 casos no Brasil em outubro. Desse total, 41 foram registrados em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. O cenário também preocupa nas Américas: até julho, a região havia contabilizado 23.165 casos confirmados, número superior aos 14.640 registrados durante todo o ano de 2025.
Nos Estados Unidos, Nova York registrou a primeira morte por sarampo em 30 anos. Essa foi a sexta morte provocada pela doença no país em 2026. Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas, apesar de a doença ter sido declarada erradicada no território norte-americano em 2000.









