O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), confirmou a permanência do show da dupla Jorge e Mateus na programação do Festival Virada Salvador, evento promovido pela prefeitura para marcar a chegada do Ano-Novo na capital baiana. A decisão foi anunciada após a repercussão negativa de declarações atribuídas ao cantor Jorge, que passou a ser alvo de críticas por seu posicionamento político e por supostas falas consideradas ofensivas ao povo nordestino.
A controvérsia teve consequências diferentes entre as cidades que haviam contratado a dupla para as festas de fim de ano. Em Fortaleza e Recife, as respectivas prefeituras retiraram as apresentações de Jorge e Mateus da programação do Réveillon. Em Salvador, porém, a administração municipal decidiu preservar o contrato e manter o show no calendário oficial do Festival Virada Salvador.
Ao comentar a decisão, Bruno Reis afirmou que critérios políticos não são utilizados para definir os artistas convidados para o evento. De acordo com o prefeito, a escolha das atrações leva em conta a variedade de estilos musicais e a tentativa de reunir artistas capazes de alcançar públicos distintos durante as comemorações de Ano-Novo.
O prefeito também argumentou que a liberdade de expressão deve ser respeitada em uma sociedade democrática. Para ele, opiniões políticas divergentes não podem, por si só, impedir que um artista participe de uma apresentação organizada pelo poder público. Bruno Reis defendeu a convivência entre pessoas que possuem visões diferentes, inclusive em relação à política.
“O festival celebra a música, a cultura e a arte. Nunca, em nenhum momento, a questão política foi critério para a definição das apresentações. Não pode ser, até porque é ilegal usar esse critério para definir quem vai se apresentar”, declarou o prefeito.
Na avaliação de Bruno Reis, a própria formação da grade do Festival Virada Salvador reforça a ausência de uma orientação ideológica na seleção dos nomes. A programação, segundo ele, reúne diferentes ritmos e manifestações musicais, com atrações destinadas a públicos variados. O prefeito não detalhou mudanças na agenda e reiterou que o show da dupla será mantido.
O gestor municipal também afirmou que não se identifica como um prefeito de direita ou de esquerda. Segundo Bruno Reis, a administração deve atender a toda a população, sem transformar a disputa ideológica em critério para as decisões relacionadas ao festival.
“Nós vivemos em uma democracia e temos que respeitar as opiniões divergentes. Democracia é isso: ter a capacidade de conviver com quem pensa diferente do nosso pensamento”, afirmou.
Em outra declaração, o prefeito acrescentou: “Eu tenho dito e sempre disse isso: eu não sou prefeito nem de direita nem de esquerda. Essa briga não nos pertence. Somos livres e vivemos em um país livre e democrático, onde as pessoas podem e devem expressar sua opinião”.
A reação contra Jorge ganhou força depois que o posicionamento político do cantor provocou críticas e foi associado a supostas declarações ofensivas aos nordestinos. O episódio aumentou a pressão sobre as prefeituras que haviam contratado a dupla para os eventos de fim de ano. Enquanto Fortaleza e Recife cancelaram os shows, Salvador decidiu manter a apresentação e reafirmou que as opiniões políticas dos músicos não serão usadas como parâmetro para excluí-los do Festival Virada Salvador.









