Nova Lima (MG) — A Escola de Samba Unidos do Rosário promete emocionar, provocar reflexão e transformar a avenida em espaço de memória no Carnaval 2026. Com o enredo “O Rosário sobe a Boa Vista em busca de Timbuctoo – A Nova Lima negra que a história não contou”, a agremiação apresenta um desfile de forte densidade histórica, poética e política, que resgata a contribuição das populações negras na formação do município.
Mais do que um espetáculo carnavalesco, a proposta da escola é um ato de reparação histórica, utilizando o samba como ferramenta de educação popular, identidade e resistência cultural.
📌 Uma Nova Lima vista a partir do povo negro
O enredo convida o público a revisitar a história de Nova Lima sob uma perspectiva pouco registrada nos livros oficiais: a das comunidades negras que ergueram a cidade, trabalharam nas minas, formaram bairros e sustentaram tradições, mas que foram invisibilizadas ao longo do tempo.
Ao colocar o bairro Boa Vista como ponto simbólico da narrativa, a Unidos do Rosário destaca territórios marcados pela fé, pela oralidade, pela cultura comunitária e pelo legado afro-brasileiro. O desfile propõe um contraponto à narrativa eurocentrada da história local, trazendo à tona personagens, vivências e memórias que sobreviveram pela palavra, pela música e pela tradição oral.
🌍 Timbuctoo: símbolo de saber, ancestralidade e liberdade
A busca por Timbuctoo, cidade africana historicamente reconhecida como centro de conhecimento, espiritualidade e organização social, surge no enredo como símbolo de reconexão com a ancestralidade africana.
Na narrativa apresentada pela escola, Timbuctoo representa o direito de recontar a própria história, de “afrobetizar” o olhar, de aquilombar saberes e de reafirmar a dignidade de um povo que resistiu à exclusão e ao apagamento.
🎶 Samba-enredo reforça memória, fé e identidade
O samba-enredo de 2026, composto por Marcelo Roxo e interpretado por Tinga, da Vila Isabel, traduz em versos a essência do desfile. A letra valoriza a memória coletiva, o território, a fé e os personagens anônimos que ajudaram a construir Nova Lima.
Trechos como “Rosário é memória / canta a nossa história” e “É rei, é rainha, é comunidade / e sonha o sonho da igualdade” reforçam a proposta da escola de transformar o Carnaval em palco de afirmação social, onde o povo negro deixa de ser figurante para ocupar o centro da narrativa.
O samba também homenageia figuras simbólicas da comunidade, valoriza a religiosidade popular, o axé, o trabalho nas minas e o orgulho de pertencer.
🏆 Carnaval como território de liberdade
Ao escolher esse enredo, a Unidos do Rosário reafirma o Carnaval como um espaço legítimo de expressão política, cultural e identitária. A escola aposta em um desfile que une emoção, beleza estética e conteúdo, mostrando que o samba pode — e deve — dialogar com a história e com os desafios sociais do presente.
O encerramento da narrativa aponta para o Carnaval da Liberdade, onde alegria e consciência caminham juntas, e onde o respeito, a igualdade e a valorização da diversidade se tornam protagonistas da festa.
🎭 Expectativa para a avenida
A expectativa é que o desfile da Unidos do Rosário seja um dos momentos mais marcantes do Carnaval de Nova Lima 2026, tanto pela força do enredo quanto pela potência simbólica do samba. A escola promete levar para a avenida não apenas um espetáculo visual, mas uma história que pede escuta, reconhecimento e respeito.
📄 Ficha técnica do enredo
- Escola: G.R.S.C.E.S. Unidos do Rosário
- Cidade: Nova Lima (MG)
- Carnaval: 2026
- Enredo: O Rosário sobe a Boa Vista em busca de Timbuctoo – A Nova Lima negra que a história não contou
- Compositor: Marcelo Roxo
- Intérprete: Tinga (Vila Isabel)






