
Hospital Regional de Divinópolis deixa de ser promessa e entra em fase de abertura
Durante quinze anos, o Centro-Oeste mineiro conviveu com um gargalo histórico na saúde pública. A ausência de um hospital regional plenamente estruturado obrigou milhares de pessoas a peregrinar por atendimentos, enfrentar filas intermináveis e depender de uma rede sobrecarregada. Hoje, finalmente, essa realidade começa a mudar.
O Hospital Regional de Divinópolis está deixando de ser promessa para se tornar política pública concreta.É importante dizer com clareza: não se trata apenas de um prédio pronto. Já estão assegurados R$ 36 milhões para a aquisição de equipamentos e aparelhos hospitalares, garantindo que a unidade seja entregue com tecnologia de ponta, preparada para atender com qualidade pelo SUS e para cumprir sua função universitária em parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
O coração do hospital, seus equipamentos, sua capacidade técnica e sua vocação formadora, já está pulsando.A gestão do hospital também está consolidada. A parceria entre a EBSERH, empresa pública federal vinculada ao Ministério da Educação, e a UFSJ está firmada. A doação do hospital pelo Estado de Minas Gerais à universidade encontra-se em fase final de regularização administrativa, um passo decisivo para garantir segurança jurídica, estabilidade institucional e continuidade do projeto.
A abertura do Hospital Regional de Divinópolis seguirá critérios rigorosos de responsabilidade e planejamento. Não haverá improviso. Muitos dos equipamentos previstos são de alta complexidade tecnológica, alguns deles nem sequer fabricados no Brasil, o que exige mais tempo para entrega, instalação, calibração e capacitação das equipes.
Por isso, a EBSERH e a UFSJ trabalham com um modelo de abertura em três etapas, garantindo que cada setor entre em funcionamento com protocolos testados, equipes completas e plena segurança para pacientes e trabalhadores da saúde. O calendário oficial está em fase final de construção e, assim que concluído, será apresentado de forma transparente em um evento regional, com a presença dos prefeitos dos municípios que serão atendidos pela unidade.
O Hospital Regional de Divinópolis nasce como uma resposta concreta a uma demanda histórica. Ele fortalece o SUS, amplia o acesso à média e alta complexidade, qualifica a formação de profissionais de saúde e reafirma o papel do Estado brasileiro na garantia do direito à vida. É fruto da união entre Município, Estado e União, uma articulação que demonstra que políticas públicas estruturantes não se constroem com bravatas, mas com trabalho sério, cooperação federativa e visão de longo prazo.
O impacto desse avanço é regional. O Hospital Regional de Divinópolis irá atender uma população estimada em 2 milhões e 600 mil habitantes, abrangendo dezenas de municípios do Centro-Oeste mineiro. Trata-se de uma estrutura estratégica para desafogar a rede, reduzir deslocamentos longos e garantir acesso a atendimentos de média e alta complexidade para uma região historicamente pressionada pela falta de serviços especializados.
Esse processo revela algo que precisa ser valorizado na política brasileira: maturidade institucional e compromisso com o interesse público. Há divergências políticas legítimas e elas fazem parte da democracia, mas quando o assunto é a saúde do povo de Divinópolis e do Centro-Oeste mineiro, a prioridade precisa ser uma só.
O vírus não escolhe ideologia. A dor da fila de espera não pergunta em quem o paciente votou. O Hospital Regional de Divinópolis é prova de que a política pode, e deve, ser feita com civilidade, diálogo federativo e foco nas pessoas.A saúde pública exige compromisso permanente. O que estamos construindo em Divinópolis não é apenas um hospital: é um novo capítulo para a saúde regional, baseado em planejamento, investimento público e responsabilidade social. É isso que a população espera. E é isso que está sendo entregue.
Gleide Andrade é secretária nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT).






