A Justiça de Minas Gerais determinou nesta quinta-feira (12) a liberação do adolescente de 17 anos que estava internado em um centro socioeducativo como principal suspeito da chacina que matou três mulheres em uma padaria de Ribeirão das Neves, na Grande BH. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público e ocorreu após a prisão de um novo suspeito, que confessou a autoria do triplo homicídio.
O homem preso é Magno Ribeiro da Silva, de 30 anos, cliente da padaria e morador vizinho ao estabelecimento. Ele foi localizado na terça-feira (10) no bairro Céu Azul, região de Venda Nova, em Belo Horizonte, após uma denúncia anônima que o ligava a uma tentativa de homicídio ocorrida num dia após a chacina.
Com ele, a polícia apreendeu uma arma de fogo artesanal calibre .380, munições, placas balísticas, uma touca ninja, um capacete branco e uma motocicleta Yamaha Factor branca – todos os itens compatíveis com as características do atirador descritas por testemunhas .
Durante a abordagem, os policiais do Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar) flagraram o momento em que o suspeito tentava esconder a arma dentro de um fogão. Ele confessou ser o autor do triplo homicídio na padaria e também da tentativa de assassinato em uma oficina mecânica da região.
Uma testemunha do crime – a jovem de 19 anos que estava no local e implorou para não ser morta – reconheceu as características físicas do suspeito e confirmou que os objetos apreendidos eram os mesmos usados no ataque .
O adolescente de 17 anos, ex-namorado de uma das vítimas, havia sido apreendido horas após o crime e internado no sistema socioeducativo. A família sempre negou seu envolvimento e apresentou imagens de câmeras de segurança que, segundo a defesa, mostram o jovem comprando produtos em um mercado a cerca de 2 km da padaria no horário dos disparos – por volta das 20h39.
O advogado Gilmar Francisco dos Santos classificou a apreensão como “o maior erro judiciário de Minas Gerais” e afirmou que a família precisou investigar por conta própria para provar a inocência do rapaz .
Na decisão que determinou a soltura, a juíza Karen Castro dos Montes destacou que “a prisão de um novo suspeito, que teria informado aos policiais militares a prática do triplo homicídio, aliada à apreensão de objetos consistentes com a descrição da testemunha presencial, cria um estado de dúvida que, neste momento processual, milita em favor do adolescente”. A magistrada também determinou que o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte avalie a inclusão do jovem e seus familiares, que vêm sofrendo ameaças. Apesar da liberação, o adolescente segue formalmente como investigado até a conclusão do inquérito, que deve ocorrer em cinco dias.
Relembre chacina na Grande BH
O crime ocorreu na noite de 4 de fevereiro, no bairro Lagoa. Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, trabalhava no caixa da padaria e foi atingida por dois tiros – um na cabeça e outro no braço. Ione Ferreira Costa, de 56 anos, cliente do estabelecimento, levou dois disparos nas costas. Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14 anos, filha do dono e prima de Nathielly, também estava no caixa e foi baleada na cabeça, no braço e na perna. Chegou a ser socorrida ao Hospital Risoleta Neves, mas não resistiu .
Segundo testemunhas, o atirador entrou na padaria de touca e capacete, discutiu com Nathielly por ciúmes e efetuou os disparos. Antes de fugir de moto, apontou a arma para uma jovem de 19 anos, irmã de Emanuely. Ela implorou para não ser morta. O suspeito então sorriu, colocou os polegares nas bochechas, mostrou a língua em gesto de deboche e deixou o local .
A Polícia Civil informou que Magno Ribeiro da Silva não tem condenações anteriores nem passagem pela prisão, mas possui diversos boletins de ocorrência por ameaça, perseguição e crimes envolvendo a Lei Maria da Penha. O delegado Marcos Vinícius Solis afirmou que esse histórico foi um dos indícios que corroboraram a linha de investigação para apontá-lo como principal suspeito. A motivação do ataque, no entanto, ainda não foi esclarecida. A perícia da arma apreendida está em andamento e novas diligências seguem sendo realizadas .








