Juiz de Fora (MG) — O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou na manhã desta terça-feira (24/02) a assinatura de um decreto presidencial que reconhece o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, em decorrência dos temporais e enchentes que castigaram a cidade e a região nas últimas semanas. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e facilita ações emergenciais do governo federal no município.
O decreto ocorre no cenário de uma das maiores tragédias climáticas da história recente de Minas Gerais, com volumes de chuva acumulados extremamente acima da média histórica em fevereiro — mais de quatro vezes o previsto no mês, segundo dados meteorológicos.
Mortes, desaparecidos e destruição
Até o momento, as chuvas intensas, que começaram no fim da tarde de 23 de fevereiro e se estenderam pela madrugada seguinte, deixaram um saldo devastador na região. Em Juiz de Fora e cidades vizinhas como Ubá, Matias Barbosa, Cataguases e Senador Firmino, o número de mortos já passou de 60, com dezenas de desaparecidos, centenas de desabrigados e milhares de desalojados, segundo os últimos dados compilados por órgãos de defesa civil.
Nas áreas atingidas, o transbordamento do Rio Paraibuna, alagamentos e deslizamentos de terra provocaram destruição de residências, isolamento de bairros e interrupção de serviços essenciais. Em algumas localidades, veículos foram arrastados pela força da água e casas foram parcialmente destruídas.
Reação governamental e assistência federal
Em publicação nas redes sociais, o presidente Lula afirmou, mesmo durante viagem aos Emirados Árabes Unidos, que determinou a “pronta mobilização do Governo do Brasil” para apoiar as cidades afetadas e garantir assistência humanitária.
Ele também destacou que uma equipe de coordenação da Força Nacional do SUS e da Defesa Civil Nacional já está sendo deslocada para a Zona da Mata para reforçar os esforços de resgate e atendimento às famílias impactadas.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), decretou o estado de calamidade pública municipal na madrugada desta terça e tem coordenado esforços de resposta local com o apoio federal.
O que muda com o decreto de calamidade
O reconhecimento do estado de calamidade pública pela esfera federal permite:
- Flexibilizar regras fiscais para gastos emergenciais;
- Acesso facilitado a recursos federais voltados à assistência humanitária, recuperação de serviços públicos e reconstrução da infraestrutura;
- Agilidade administrativa na atuação conjunta entre governo municipal, estadual e federal.
Impacto social e perspectivas
A tragédia provocada pelas chuvas extremas interrompeu o funcionamento normal de serviços públicos em várias áreas, incluindo escolas que passaram a servir como abrigos para vítimas, e obrigou a suspensão de parte das atividades cotidianas enquanto equipes de resgate e limpeza seguem trabalhando.
Meteorologistas alertam para a possibilidade de continuidade de episódios de chuva na região, o que mantém o risco de novos alagamentos e deslizamentos, enquanto a população local enfrenta o impacto da crise climática e a reconstrução das áreas devastadas.
Contexto ampliado: Especialistas apontam que eventos extremos como os registrados na Zona da Mata refletem padrões de mudanças climáticas que vêm intensificando a frequência e a gravidade de chuvas torrenciais no Sudeste brasileiro, exigindo respostas estruturadas por parte dos governos e sistemas de defesa civil.





